Uma Interpretação de Makishima Shougo e do Sistema Sybil

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Da Alegoria da Caverna à Incapacidade Metafísica.

Olá, pessoal, tudo bem? Creio que muitos leitores daqui não devem me conhecer, isso pelo fato de eu nunca ter postado nada neste lugar. Ai vocês me perguntam: mas, senhor desconhecido, qual o motivo de você escolher os vocábulos “muitos” + “daqui”? Bem, digamos que eu tenha contato com algumas pessoas que acompanham a blogosfera de animes no Twitter, então, se você olhar bem o post e ler que o autor tem “Kage” no nick, pode facilmente fazer uma analogia com uma sombra totalmente aleatória que incomoda você em sua TL. Se esse não é o caso, então você está no conjunto que eu defini como “muitos leitores daqui”.

Então vamos ao assunto: Psycho Pass. Esse anime foi feito pelo estúdio Production I.G na última temporada de 2012, sendo a aposta de muitos fãs de animação antes de seu lançamento e, uma das causas desse ocorrido, é ser escrita pelo aclamado Gen Urobuchi, que tem ganhado espaço recentemente no mundo dos animes por Mahou Shoujo Madoka Magika em 2011 e, mais recentemente, por Fate/Zero na temporada de abril de 2012. As previsões não falharam: PP conseguiu atrair desde o público mais engajado pela sua carga temática reflexiva, ao público casual, pela moldura mainstream que consegue apresentar essa temática.

Então, deixando de lado os formalismos da apresentação, gostaria de ser bem direto. Eu não quero falar de Psycho Pass de uma maneira geral, mas sim fazer uma interpretação de temáticas específicas. Com isso, espero deixar claro que meu post CONTÉM SPOILERS (lê-se que você pode ficar a vontade para ler, só não pode ficar butthurt e dizer que eu não avisei), pois abordará principalmente ocorridos relacionados à semana passada, ao episódio 17 de PP: quero falar do Sistema Sybil e do personagem Makishima Shougo, como sugere o título do post. Assim, se vocês me permitem, gostaria de introduzir essa conversa com uma pergunta, sugestão interpretativa, ou o vocábulo que você, leitor, preferir:

E se a sociedade de Psycho Pass fosse uma caverna?

 Indo mais longe, quero refazer uma pergunta de modo que esta seja bem direta quanto às minhas intenções. “E se o mundo de Psycho Pass pudesse ser entendido com a Alegoria da Caverna de Platão?”. Ok, Sombrinha, daora comparar com coisas bonitas, mas onde você está querendo chegar? Eu explico, mas, na frase clichê de todo professor de Matemática, “façamos que nem Jack, o Estripador, vamos por partes”, certo? Para aplicar essa interpretação, será primeiro necessário definir o que vai ser a caverna na nossa historinha. Sugiro que essa seja a Sociedade, como propõe minha primeira pergunta.

  • A Caverna

Para minha sugestão ser viável, temos que definir primeiramente uma característica-chave na Alegoria da Caverna que seja compatível com o alvo de nossa comparação — usaremos a crença diante do inatingível. Na alegoria de Platão, os habitantes acreditavam que as projeções na parede da caverna eram deuses. Para eles, era impossível ter um olhar externo ao fato e julgá-lo com clareza, de modo que se obtenha a verdade.

Ora, para os habitantes da metrópole do anime, é possível definir também uma entidade inatingível que ganhe a crença de todos: o Sistema Sybil. Nenhum cidadão normal entende muito bem como ele funciona; porém, mesmo diante desse fato, todos persistem em segui-lo, meramente pela hipótese da sua eficiência em proporcionar uma vida melhor. E isso se tornou uma premissa. Mas qual o motivo disso? Essa é a grande questão. Simplesmente não há motivos reais para a garantia de uma vida melhor. Há somente a necessidade de um porto seguro, no qual a humanidade possa acreditar e se apoiar diante dos seus maiores problemas sociais e emocionais. Há a necessidade de um novo deus — de uma entidade capaz de gerar fé em preceitos morais absolutos e que não são justificados pela razão.

E de fato não é.

E de fato não é.

Mas o que são exatamente esses preceitos morais? Eles são o que o Psycho Pass te exige a fazer a ponto de manter uma ordem social. Basicamente, a população abre mão do seu direito a vida e individualidade e o entrega a um mecanismo que dita tudo o que se deve fazer: a profissão que se deve seguir; a ajuda que você deve procurar; como você deve se comportar. Caso um cidadão não cumpra esses requisitos, o sistema de fiscalização e o sistema policial — os glóbulos brancos da sociedade —, tendem a alertá-lo e, nos casos mais extremos, a eliminá-lo do meio. Isso pode se materializar tanto por isolamento — prisão —, quanto por extermínio propriamente dito.

Os cães são brancos.

Os cães são brancos.

É interessante notar que esses glóbulos brancos não punem o problema de fato. Este é um reflexo de uma sociedade ditatorial. Certa parte da população tende naturalmente a buscar seus direitos oprimidos, principalmente no que diz respeito a vida que foi tomada delas. O problema está nas pessoas? Não. A punição se pauta exatamente na imagem do problema, nas suas consequências. Ela ataca diretamente o que o cidadão normal considera ser o problema.

De onde vem essa consideração falsa então? Partindo da premissa da população que diz que o Sistema Sybil é inquestionável, ela provém de uma conclusão lógica pautada em acreditar que a manutenção da segurança é feita somente com o intuito de eliminar crimes específicos, o que amplifica ainda mais a crença no poder salvador do sistema: na crença da sua segurança perfeita para o bom cidadão. Este tende a ver somente o que o atinge fisicamente, ou seja, a manifestação criminal dos ocorridos.

Quando o criminoso é punido, o sistema não melhora: o infrator é somente um elemento cancerígeno sendo eliminado diante de inúmeras metástases provenientes da própria ordem social. O que de fato ocorre é a criação de uma ilusão de que o problema foi corrigido com sucesso. Há, portanto, a criação da imagem de segurança — todos os problemas são resolvidos com eficiência —, o que é completamente útil para a manutenção da ordem. Essa é uma tática genial de controle social, porque transforma o que seria um problema em uma ferramenta perspicaz. O crime tornou-se necessário para transmitir a imagem de segurança.

A imagem está acima do que realmente é.

A imagem está acima do que realmente é.

Diante desses fatos, um cidadão em Psycho Pass tem três opções: ser feliz, aceitar a vida, ou se rebelar contra a maneira que sua vida é imposta. O fato é que, independente da situação, os três casos estão muito bem calculados e, portanto, muito bem controlados. A maior parte da população se encaixa no primeiro caso e tem direito a uma felicidade pré-definida: a felicidade de ser comandado, de não ter direito a individualidades.

Aliás, os cidadãos passam a ter a obrigação de serem felizes, pois, caso o contrário, acabarão tendo seus níveis de stress medidos e serão consequentemente encaminhados para a “terapia”. O anime não fala muito sobre ela, porém é provavelmente alguma prática que influencie na aceitação da vida naquele ambiente. Afinal, para ser feliz é necessário um estado de espírito que pregue a aceitação, que não questione o que é imposto, mesmo que isso seja notoriamente pior para si mesmo.

Doce tratamento!

Doce tratamento!

Assim, conclui-se que para se sair da caverna é uma tarefa árdua. Ela possui diversos mecanismos que dificultam a fuga, mesmo dos mais sagazes. Esses mecanismos podem ser intermediados no aspecto físico, quando estamos tratando da polícia e fiscalização — repressão aos maus exemplos — e quando falamos da aplicação de terapia — forma de impedir a população a cogitar ideias “heréticas”. Mas as verdadeira barreiras nascem dentro da própria ideologia da população e são intermediadas de forma natural pelo convívio, ou seja, elas são as premissas morais que são impostos pelo Sistema Sybil e a sua consequente sacralização.

Então, seria possível uma quarta opção de vida? Uma entidade liberta de aumentar o stress devido a culpa? Um estado de espírito capaz de não temer a moral vigente, de não conseguir ser julgado por ela? Sim. São esses os Espíritos Livres capazes de olhar a caverna de modo externo, de ver que as projeções na parede são meras imagens da verdade por trás daquele mundo.

  • Mundo das Ideias

Platão dizia que a sociedade deveria ser governada por pessoas com rigorosa formação filosófica. Não é para menos, visto que, segundo sua ideologia, o filósofo é aquele mais próximo do Mundo das Ideias, pois tal entidade só pode ser supostamente alcançada por meio do pensamento, da Filosofia. Olhar esse espaço metafísico significa olhar para fora da caverna, ter a revelação da verdade absoluta que constrói o universo.

As cabeças por trás do Sistema Sybil se aproveitam dessa visão platônica muito bem: são selecionados Espíritos Livres com senso de valores e ideologia singulares. Pessoas que consigam transcender tanto a moralidade vigente, que não são mais aptas a serem julgadas por ela. Ora, não são essas as entidades que conseguem olhar para o Mundo de maneira externa? Não são essas as pessoas que estão mais próximas da verdade? Juntas agora elas ganharão o poder de julgar — de fazer as projeções por trás da grande fogueira que é o Sybil.

Não basta, porém, apenas ter alcançado o Mundo das Ideias. É possível rastejar nesse universo sedutor, mas somente isso não é suficiente para conseguir levar a justiça para toda a população. O que se tem no momento são apenas fragmentos da sabedoria, os Espíritos Livres ainda são incapazes de poder explorar com destreza tal mundo metafísico.

A solução para esse caso é, ao mesmo passo que simples, extrema: “vamos juntar nossos fragmentos de sabedoria e reconstruir o Mundo das Ideias”. Dotados de uma tecnologia moderna, pegaram seus bens mais preciosos — seu próprio eu — e literalmente uniram seus recipientes com a maior ferramenta de processos que a sociedade poderia os oferecer: supercomputadores.

#PartiuFazerEngenharia

#PartiuFazerEngenharia

— Eis aqui a maior criação da humanidade! Nós clonamos a verdade, transformamos a Metafísica em Física! — Bradou o Admirável Mundo Novo das Ideias.

O Sistema Sybil é muito mais profundo que as projeções e que a fogueira. Ele é tudo que está fora da caverna: toda a verdade.

Nosso novo deus!

Nosso novo deus!

Então esse é finalmente o ponto que a vida chegou no seu nível máximo, que finalmente o ser humano conseguiu alcançar a ideia de deus? Há um homem que discordou dessa nova visão de Mundo. Seu nome é Makishima Shougo.

  • O Verdadeiro Espírito Livre e o Simplismo Metafísico

Todos os Filósofos têm em comum o defeito de partir do homem atual e acreditar que, analisando-o, alcançam seu objetivo. Involuntariamente imaginam “o homem” como uma aeterna veritas [verdade eterna], como uma constante em todo redemoinho, uma medida segura das coisas. Mas tudo o que o filósofo declara sobre o homem, no fundo, não passa de testemunho sobre o homem de um espaço de tempo bem limitado.”

                                                  Friedrich Nietzsche – Humano, Demasiado Humano Traduzido por Paulo César de Souza

Esse trecho de Nietzsche ilustra bem a ideologia de Makishima Shougo. Este sabe muito bem que toda a moral ditada pelo Sistema Sybil é uma mera análise dos valores da humanidade limitada a um espaço de de tempo, além de também estar limitada pelo espaço geográfico em que se encontra. Então, não podemos fazer julgamento de todas as pessoas de como elas devem se comportar em toda a sua vida através do simplismo ditado pela visão de mundo do sistema, pois ela é embasada em uma falsa impressão de onisciência que se pauta somente no atual corte geográfico e temporal da sociedade. Não há uma verdade absoluta, apenas análises restritas da humanidade que se convive.

Nesse contexto, toda a Alegoria da Caverna vai por água abaixo. Todo esse Admirável Mundo Novo das Ideias, que acreditava ser toda a exterioridade da caverna, é uma pequena ilha, isolada no tempo e nos espaço. No fim, todas as projeções da fogueira não são reflexos da verdade absoluta. São reflexos do simplismo de acreditar numa verdade constante, da falta de caráter para ser um Espírito Livre de fato e poder sair das proximidades da caverna.

O Sistema Sybil é covarde, pois não consegue se aventurar no pensamento de todas as possibilidades de mundo da liberdade , ele quer apenas julgar com o que acha ser o fato. Não sabe que todo julgamento é falho. Seu bem mais precioso não é a sua sabedoria, é a sua crença de que é a sua própria verdade seu porto seguro, preguiça e medo.

"Que piada. Dizem que vivemos numa sociedade justa controlada por máquinas. Uma que não depende do falho ego humano..."

“Que piada. Dizem que vivemos numa sociedade justa controlada por máquinas. Uma que não depende do falho ego humano…”

Então, o que Shougo realmente prega? A liberdade. Por mais sujos que sejam seus meios, o fim é sem dúvida louvável poder viver as coisas como elas realmente são, e não como um mero roteiro de mentiras escrito pela Metafísica. Nosso bishounen de cabelos brancos quer aproveitar a vida como um jogador, apreciar cada momento dela, fazendo de cada um uma nova descoberta, uma nova visão do Mundo.

Sua ambição é que todos possam viver como ele. Para tal, ele pretende destruir não só a caverna, mas toda a ilha que a envolve. Assim, todos poderão viver como Verdadeiros Espíritos Livres, aptos a questionarem a moral vigente, que é supostamente pautada na onisciência de Deus. E não como uma humanidade digna de desprezo.

E agora, José?

E agora, José?

Para Shougo, a sociedade atual é uma caverna. O Mundo, porém, jamais pode ser entendido como a Alegoria da Caverna de Platão.

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Bem, pessoal, é isso! Espero que tenham gostado do post. Fiquem agora com o que o Makishima Shougo realmente considera ser a verdade:

Beijos da Sombra e até a próxima! =3… ❤

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Sobre kage111

Eu sou a moetização não-moe do conjunto cujos elementos têm luz escassa ou inexistente.
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16 respostas para Uma Interpretação de Makishima Shougo e do Sistema Sybil

  1. caetano disse:

    Hai, Kagezinho! Olha, não li inteiramente. Pulei algumas partes, por não curtir esse Passe Psicótico. A analogia é bem válida, tanto que pode ser uma das premissas essenciais da série em si. Eu só posso chegar ao ponto de que esta analogia é tão constantemente aludida à nossa vida, diariamente, se assim quiser colocar, que é um dos motivos de eu não ter paciência mais para fazer comparativos com animes.

    No mais, um post maneiríssimo. Comecei a deixar de lado esta parte de aprofundar (principalmente filosoficamente) os posts, para poder fazer comparativos mais à imagem, à essência artística das obras que não como meio de transmitir mensagens. Algo que acho notável transformar em um artigo como este seu, interessante, mas que nem cabe mais a mim comentar sobre. Congratz for your text!

    • kage111 disse:

      Eu já não tenho tanto conhecimento assim sobre os aspectos técnicos de um anime para comentar a parte gráfica em si de uma série. Quando eu vejo o pessoal falando “Nossa! Essa animação está um lixo!” eu me sinto meio incapaz de poder compartilhar do mesmo sentimento. O máximo talvez que eu note seja quando os desenhos estão mal feitos, se o character design é interessante, se o fundo dê uma boa atmosfera. Mesmo assim, não é algo que eu dê tanta importância enquanto eu estou assistindo. Não consigo me prender tanto nisso. Digamos que eu dê foco total para narrativa e não consiga dar muito valor para a beleza das coisas. Por isso prefiro comentar essa parte mais da mensagem mesmo… ^^”

      • caetano disse:

        Veja bem, eu sempre preferi falar sobre as mensagens. O fato é q as mensagens estão ficando generalizadas, “velhas”, ironicamente estão regredindo, de modo geral. Vejo animes, pego as mensagens, e penso q qualquer há milhões de obras falando sobre aquilo de modos até melhores. Mas não é bem o caso, já que ainda pode ser muito interessante discutir essas paradas. O fato no qual me referia, em relação à essência, imagem e, como disse ‘técnicas’ de uma obra, está mais voltado ao lado artístico (no caso, falando de animes).

        De modo geral, não vou ficar relevando se o anime tem um traço bom, se animação estava interessante ou não… Afinal, se eu realmente quiser animação boa, não verei animes, verei obras americanas. Contudo, animes ainda têm uma certa mágica que me prendem a eles, mesmo q eu não assita há um tempo, da forma como eu queria. Mas, principalmente nos últimos tempo,s vejo animes que assemelham-se mais com o… Cinema. Aproximam-se mais de um âmbito artístico, tecnicamente bem acabado, quando falamos de posições das imagens, escolhas das cenas e tudo o mais. Acho isso interessante, fato que não é tão desenvolvido em desenhos ocidentais por sua maioria ser voltada a crianças apenas. É um dos principais motivos de eu ter amado de paixão o tal Hyouka. Há mais o que discutir sobre isso, mas essa é a base do meu atual conceito. Uma escolha mais pessoal sobre avaliar as obras pela sua arte, ao invés de suas mensagens, este último que eu continuo fazendo apenas só, sem compartilhar e/ou escrever. Ba Bai, Sombrinha!

  2. lau-chan disse:

    Fantástica interpretação

  3. B. Megane disse:

    Muito interessante essa interpretação do mundo de Psycho Pass através do Makishima Shougo e do Sistema Sybil.

  4. Gostei muito de sua interpretação, nem pensei em associar com o mito da caverna mas minha interpretação possui semelhanças em alguns pontos.
    Resumindamente para não ocorrer repetição. O sistema Sybil tenta impor sua verdade a sociedade, onde não há brecha pra questionamentos. Afinal, com o questionamente do sistema existe a tendência de se manchar a matiz (como ocorreu/ocorre com Gino), e consequentemente é necessário tratamento psicológico ou em casos mais graves a própria execução. Assim o próprio sistema esconde suas falhas eliminando os rebeldes, do mesmo modo que ocorre em ditaduras.
    Makishima Shougo torna-se a ferramenta para desmascarar o “Novo Deus”. Seguindo ao pé da letra que “os fins justificam os meios”. Basicamente sua luta é para conseguir a liberdade daquela sociedade. Pois para Shougo mais vale viver em um mundo mais humano, com todos suad falhas e etc,etc,etc. Do que viver em uma falsa sociedade utópica, onde o simples ato de pensar é limitado pelo sistema.

    • kage111 disse:

      O foco da ideia não é o mito da caverna em si, essa é a visão do Sistema Sybil em relação a sociedade. O grande barato do Makishima Shougo é que ele nega esse conhecimento absoluto que o Sybil acha que tem, ou seja, nega essa lenda de metafísica — alegoria da caverna — e de verdade absoluta. Acho que essa última screen que eu postei ilustra bem isso. “Tanto “conhecimento” e ainda se limita a uma atitude tão humana”. No fundo, não passam de uns tiranos, ambos. UASUAHSUASUAHS
      Na minha opinião, o Shougo é de longe o personagem mais interessante de Psycho Pass. Tirando a entidade do Sistema Sybil, os outros são bem razos perto dele. Não que sejam ruins, mas não chegam perto de ter toda essa carga ideológica. Mas nada impede que agora, nessa reta final, o Kogami e a Akane se tornem mais interessantes. Até por ser a hora do desenvolvimento final da trama deles, né?

  5. Larissa disse:

    Finalmente passei aqui pra deixar meu parabéns pelo texto (:

    Eu sempre acreditei desde sempre que Makishima nunca quis ser um Deus e sim um “libertador” sem escrúpulos. Essa busca obssessiva pela liberdade de seu povo da sua terra natal para ele é importante, ele quer mostrar a todos o sentimento que ele sente de “liberdade” que ainda na sua concepção não é totalmente liberta de regras e afins, que a própria sociedade impõe. A questão maior é que sempre vai existir pessoas dentro da caverna, na ilha onde for quer que seja feita a alusão, irá existir pessoas buscando diferentes formas de poder e liberdade. Qual é o certo?
    O ser humano por si só já é complexo demais para ser entendido, conviver em sociedade pacificamente requer cuidados. Para isso serve as leis, é básicamente assim que eu vejo Sibila. Um sistema que tenta criar dentro de sua própria ordem criada, baseada no que acham melhor para reger toda uma civilização. Só que temos as pessoas que não vão concordar com essas leis impostas, com motivos e razões certas ou não, vão lutar pelo que acham certo. Só que assim como no mundo fictício de Psycho-Pass, no nosso mundo aceitamos as coisas facilmente sem discutir ou saber o porque ou como se deu o processo. Resumindo o que eu queria dizer, concordo com você mas não acho que alguém vá mudar o mundo, em psycho-pass nem no nosso mundo atual. É algo da natureza humana essa bagunça que é o mundo, como aceitamos e vemos ele, atualmente, no passado e como veremos ele daqui a alguns anos. Sempre vão existir pessoas para ambos lados da moeda.

    Gente eu to perdidinha aqui escrevendo, me perdi nos meus próprios pensamentos.
    Só passei aqui pra dizer que gostei do texto.

    • kage111 disse:

      Bem… Existe uma diferença entre a sociedade de Psycho Pass e a nossa sociedade. O que permite interpretar a de Psycho Pass como uma caverna é exatamente a ideia que eu defini no post como “crença diante do inatingível”. Para ser mais exato, no mundo desse anime há a sacralização do Sistema Sybil, ou seja, uma entidade que comande todas as ações e pensamentos que lá se estabelecem.
      Na nossa sociedade, o próprio Nietzsche define uma frase que ilustra como o caminho das coisas estão se desenvolvendo: “Deus está morto”. A cada dia que passa, estamos mais longe de necessitar de uma entidade espiritual que dite todos os nossos costumes. Nos tempos antigos, se procurava um padre quando se estava doente. Hoje, se procura um médico. Não rezamos mais quantas vezes o Terço antes de sair de casa para ter a garantia de que se está tudo bem, simplesmente saímos. Ou seja, houve uma libertação em parte da crença diante das entidades metafísicas.
      Não que sejamos totalmente Espíritos Livres, pois ainda temos inúmeras influências morais vindas dos períodos passados. Muitas dessas moralidades não têm aplicação nenhuma no nosso cotidiano e ainda estamos presos a elas. Mas, como eu falei, se compararmos com antigamente, estamos muito mais libertos. A tendência é que essa libertação continue.
      Em Psycho Pass, isso não aconteceu. Criou-se uma nova entidade para se acreditar. É isso que o Makishima Shougo não aceita. Ele não quer se tornar um deus, como você falo. Ele quer ser um libertador, é um revolucionário. Não que também não deixe de ser um tirano com relação às suas atitudes, pois não dá para dizer que “os fins justificam os meios” em todas as suas ações: muitas são basicamente sadismo puro. Outras, por outro lado, são totalmente válidas quanto a seu objetivo mor, que é a libertação.
      Mas o legal é que, independente do caso, a sua visão de mundo é una: ele é um hedonista, sendo seu ato pautado em tirania apenas ou na liberdade da nação.

      • Giselli disse:

        É certo que nossa sociedade atual esteja menos espiritualizada que antigamente, mas não seria correto afirmar que trocamos a religião para o cientificismo? A libertação seria apenas dos vínculos de entidades religiosas, mas, tudo que é publicado como cientifico é considerado uma verdade, até que outra ciência prove o contrário.

  6. Minos de Griffon disse:

    Makishima Shougo era mais que um mero psicopata ou sociopata, era um verdadeiro idealista e revolucionário que tinha ciência de que revoluções exigem sacrifícios e fez de cada sacrifício, cada uma de suas vítimas, um meio de mostrar à sociedade alienada pelo sistema Sybil, quão errado era confiar suas vidas a um sistema julgador e executor completamente imparcial.

    Podemos notar que durante todo o anime ele tentava mostrar aos seus inimigos declarados (os justiceiros e seus inspetores) que eles protegiam um sistema falho e alienador (tentou mostrar isso inclusive à população em geral, que não aceitou a verdade com bons olhos e preferiu manter a alienação simplesmente por temor e comodismo, o que já era de se esperar de uma massa domada e domesticada pelo sistema; “o ser humano teme o que desconhece”, neste caso a verdadeira liberdade das “paredes daquela caverna”). Até mesmo quando matou a amiga da policial, tentava de alguma forma abrir os olhos dela para a verdade, mas não foi assim que ela encarou os fatos, infelizmente. Se o tivesse feito, sua amiga estaria viva e ele, no mínimo, baleado.

    Para mim, Makushima Shougo foi o verdadeiro herói do anime, talvez o maior anti-herói que já tenha visti dentre dezenas de animes que eu assisti. Ele poderia ter simplesmente aceitado a proposta de Sybil e evitado uma morte completa pelas mãos de seu arqui-inimigo, mas não, recusou-se terminantemente por que não pensava apenas em si mesmo, mas em um bem maior; na liberdade de toda a humanidade e estava disposto a arriscar tudo, inclusive sua própria vida para atingir esse objetivo.

    Além do mais, em meio a todos os acontecimentos, Shougo buscava seu espaço e aceitação na sociedade e conseguiu isso de maneira peculiar. Como você mesmo comentou, involuntariamente Shougo tornou-se importante para manter a fé das pessoas no sistema ao criar o caos dentro da paz e a paz no caos, como a teoria taoista-confucionista-budista prega; o in yang. O bem dentro do mal e o mal dentro do bem balanceando a existência humana. Também tornou-se indispensável e insubstituível à humanidade com seu papel de libertador, o qual sabia, somente ele poderia exercer. Isso fez dele único e foi também a única razão puramente egoísta pela qual não se permitiu tornar-se parte de Sybil, mesmo sabendo que seria aceito pela sociedade e até mesmo idolatrado ,sendo que seu forte senso de liberdade, idividualidade e idealismo (fora o mecanismo de auto-proteção naturais do ser-humano, é claro), foram os decisivos para seu repúdio diante da oferta.

    Para mim, a verdadeira sociopata é Akane Tsunemori, que mesmo após ter descoberto as “paredes da caverna”, calou-se e aceitou naturalmente toda a verdade por trás dela. É certo que ela demonstra certa revolta e, como o próprio sistema Sybil classificou, ódio pelo sistema, mas aceitou-o completamente por considerar que a população não poderia viver em paz sem ele, ou seja, sem a alienação, a sociedade se entregaria ao caos.

    E isso vai bem mais a fundo do que aceitar ou não o sistema. Se analisarmos sua conduta e caráter durante todo o anime, veremos que ela é quem tem um perfil psicológico mais parecido com Makishima Shougo. O psycho-pass dela não suja por nada exatamente por que internamente ela não é afetada pelo julgamento do sistema. Se lermos a descrição de “psicopatia”, veremos que ela se encaixa perfeitamente nessa linha, juntamente com Makishima Shougo, porém de forma inversa. Enquanto Shougo lutava em prol da liberdade, ela lutava em prol do bom funcionamento do sistema e, exatamente por descobrir do que realmente se tratava, decidiu protegê-lo mesmo ciente do que verdadeiramente significava. Então na verdade ela agiu contra a humanidade ocultando a verdade e protegendo um sistema-prisão que dava às pessoas uma falsa impressão de paz e ordem.

    Adorei sua explanação sobre o assunto, pois também tive essa vontade ao terminar de ver o anime hoje. Até por que me decepcionei bastante com o final, embora não tenha achado ruim (achei bonito até, aquela passagem so Shougo no campo de trigo). Mas imaginei que como se tratava de um anime não convencional, seu final seria igualmente surpreendente e Makishima venceria (estilo The watchmen), mesmo que viesse a morrer. Mas isso não aconteceu e me irritou bastante a mensagem que me passou. Algo como: no fim, não importa quanto vc lute, o sistema sempre conseguirá sobrepuja-lo.

    Você pode me questionar considerando minha própria explanação, se um fim convencional seria exatamente se Makishima realmente conseguisse seu intento abolicionista. Eu digo que não, pois mesmo com seus ideais tão louváveis, Makishima tinha seus valores distorcidos, o que faz dele um psicopata extremamente perigoso. E isso não mudaria apenas por que atingiu seu objetivo, ao contrário, exatamente por não ter mais seu objeto de obsessão, ele se tornaria ainda mais perigoso. Se permanecesse vivo, precisaria encontrar uma nova utilidade para sua vida vazia. Para alguém com um intelecto tão evoluído como ele, viver em uma sociedade apazígue não saciaria sua gana pela vida (isso me lembra um pouco Hannibal rsrs). Além do mais, sem o sistema Sybila, a humanidade teria que reaprender a viver e passaria por uma era de caos até a ordem ser restabelecida de alguma maneira e Makishima Sougo de certo encontraria muito divertimento por lá.

    Bom… me despeço por aqui, sinto muito não ter uma explanação mais filosófica e ser bem analítica e prática, mas não sou muito boa quando o assunto é filosofia, porém gosto muito de análise comportamental, embora seja amadora. Se quiser entrar em contato, por favor, me adicione pelo hotmail, ainda entro no meu msn, embora não veja quase ninguém online.

  7. Numa situação imposta, “ouçam o que eu digo, façam o que eu mando e vivam como eu dito”. Sistema Sybil, apesar de perverso e cruel, é uma ótima analogia à ditadura.

    E o texto estava muito bom. Apesar de que agora preciso me debruçar em livros de Filosofia para entender alguns trechos…

  8. Markz disse:

    No meu ponto de vista,makishima n queria tecnicamente libertar a sociedade,pois se ele realmente tenta-se libertar a sociedade seria mais pratico usar outros meios sem ser o caos,pois o caos gera o medo e iriam ver ele como um monstro n um libertador…Mas acho que ele realmente queria libertar as pessoas que ele ”causava”,quem? kougami,akane etc. Ele queria mostrar para eles que o sistema sybil n passa de uma ditadura cheia de mentiras e falsas verdades.Tanto que consegue mudar eles ao longo do desenvolvimento da série/anime,tanto que kougami msm acha os ideais de makishima iguais aos dele,só n prova a brutalidade dele e o jeito que ele age,por isso que ele decidiu mata-lo.
    Makishima realmente é um jogador,anarquista e suicida que quer ser livre e libertar quem ele realmente acha interessante,ja os que decepcionarem ele,simplesmente os descarta como fez com aquela garota artista no ep 9,ou seja ele manipula as pessoas até encontrar um brinquedo mais interessante como o kougami para aceita-lo como tal rival,tanto que aceitou ser morto por ele e ainda revelou que n esperava ngm alem dele msm para mata-lo.

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