Rápidas do Erequito #01

OPRAP

Nesta Edição: Shaman King, Good Ending, Jisatsu Circle, Kamisama Dolls e Hajime.

Para quem já leu a terceira edição da coluna de leituras do Rauzi, esse novo tipo de postagem aqui no All-Fiction não é uma completa novidade. Entretanto, para quem ainda não conferiu vale a pena explicar.

A proposta é a seguinte: Existem várias obras que não precisam uma review completa hardcore from the depths of the fifth motherfucking hell que é o que a gente (ou, pelo menos, eu) faz normalmente. Não que estes títulos sejam ruins, mas, aqui no blog, a gente tem a deficiência de não conseguir falar muito das coisas que nós não gostamos (A não ser que a gente odeie o troço, daí a gente solta a metralhadora. Saiba que somos ótimos carrascos). Eu, particularmente, não quero gastar semanas para fazer uma review de algo que eu nem gosto tanto.

Mesmo assim, existe alguma coisa significativa a se dizer a respeito dessas obras. E é por isso que elas estão aqui.

No meu caso, como eu ainda não possuo uma coluna de leituras mensal, postarei essa coluna separadamente. Sua periodicidade não é fixa e ela é contará apenas com obras já concluídas. Trechos com spoilers das obras estão em amarelo.

 Estamos entendidos? Então lá vamos nós.

Good Ending

RA1GEMangá

Autor: Sasuga Kei

Gêneros: Drama, Romance, Vida Escolar, Ecchi (Shounen)

Duração: 15 Volumes

Sinopse: Conta a história de Utsumi Seiji, um garoto que recebe a ajuda de Kurokawa Yuki, uma integrante do clube de tênis da escola, afim de ajudá-lo a confessar os sentimentos que ele nutre por Iketani Shou, outra integrante do clube de tênis. [MAL] [BU] [Wiki]

É engraçado, mas Good Ending não tem um bom final (não pude resistir, me desculpem). A obra consiste no típico LoveCom que tentou extender sua viabilidade comercial postergando o começo do relacionamento dos personagens principais o máximo que pode. É o que eu disse na minha análise dos LoveComs: “Essas histórias são sobre conquistas, não relacionamentos. Sobre chegar lá, não estar lá“.

 Good Ending faz isso do dando voltas. Seja explorando o trauma sexual de Kurokawa, ou fazendo Utsumi conhecer outras garotas e estas atrapalharem a formação do casal “principal”. Não é tão óbvio no começo já que Utsumi, a princípio, estava interessado em Shou. Entretanto, Kurokawa é quem age como anjo. É ela quem conduz a transformação dele de um palerma em um garoto decente. Também é ela a garota com quem Utsumi mais interage e que, mesmo assim, possui mais mistérios. Através disso, é que o Utsumi desenvolve reais sentimentos amorosos ao invés dos platônicos que nutria por Shou. Shou era uma garota muito simpática, bonitinha e bondosa, mas o mangá faz questão de que o leitor se interesse bem mais pela Kurokawa.

Good Ending não chega a ser ruim, mas é medíocre. Temos a típica padronização bem definida dos LoveComs e que é apenas perturbada pelos postergamentos. Há quem possa argumentar que as voltas que o personagem dá são necessárias para explorar e desenvolver os seus sentimentos. Entrentanto, nada me tira da cabeça que isso é babaquice. Se GE não fosse tão idealizado, nada disso teria acontecido. Ou o relacionamento principal nunca teria sido desfeito da primeira vez já que o casal poderia muito bem lidar com o trauma da Kurokawa, ou o Utsumi teria ficado com a Shou definitivamente sem a necessidade da separação e do “desculpe, mas eu amo outra mulher”. As voltas consistem de melodrama e fanservice, elas não são necessárias se o objetivo realmente for desenvolver personagens.

Também penso que Good Ending peca em momentos importante. Coisas como confissões, separações e outros momentos que deveriam ser emocionalmente intensos. Falta criatividade neles. Não há tanto problema em eles serem comuns, o problema é que a maneira em que eles são mostrados é muito apática. Falta amor, carai.

Além disso, a Kurokawa, uma personagem chave, é “misteriosa demais” as vezes. É algo comum em heroínas, já que o autor esconde os seus pensamentos afim de gerar suspense. No entanto, as ações da Kurokawa não tem sentido em muitas oportunidades. Não é o simples fato de esconder, é o fato que nada que faça sentido poderia estar na cabeça dela. É como se nem o autor soubesse o que ela está pensando. Tanto que o comportamento da Kurokawa é o mais estranho de todo o mangá.

Por fim, a arte de Sasuga Kei, no máximo, é decente. Para um mangá ecchi, nós temos um desenho muito incomum das garotas. Eu não acho que seja errado tentar algo diferente do jeito típico de desenhar bishoujos e até admito que o traço de Sasuga tem personalidade; contudo, nada me tira a impressão que é estranho.

Existem outros LoveComs melhores. O meu adorado Love Hina é um, mas é bem diferente de Good Ending. É possível encontrar algo mais parecido com GE, com melhor arte, “enrolações” melhor desenvolvidas, como também um jogo melhor dos sentimentos dos personagens em obras como I”s e Ichigo 100%.

Jisatsu Circle

 RA1JCMangá

Autor: Furuya Usamaru

Gênero: Horror

Duração: 1 Volume

Sinopse: Conta a história de duas amigas que se envolvem em misteriosos incidentes de suicídio grupal. [MAL] [BU]

Jisatsu Circle, também conhecido como Suicide Club, é uma obra que pode perturbar. Os suicídios grupais contribuem para esse aspecto, mas é a atmosfera, que é, ao mesmo tempo, depressiva e, ligeiramente, “fora da casinha”, que torna a experiência realmente intensa. A ótima arte de Furuya também contribui significativamente nesse ponto.

O problema de JC é que a obra não vai muito além disso: Assustar e perturbar. A obra pode dar a entender que levanta e aborda discussões polêmicas. Usar suicídios grupais e fazer referência a péssima qualidade de vida do japonês são indicativos disso. Entretanto, a obra nunca vai fundo nisso. Ela mostra as imagens de impacto e todo o drama envolvido, mas isso não serve pra nada muito além de assustar.

O melhor exemplo é como o título apresenta o fenômeno cíclico que é o Suicide Club. A ideia do ciclo de ódio está presente, mas nada explica o funcionamento dele. Não só não há nenhuma discussão por trás, como também a obra não se presta nem a dizer se é mágica, macumba ou sei lá o quê que faça o ciclo funcionar. O comportamento suicida em massa também não tem explicação nenhuma. 

JC é legal como coletânea de imagens impactantes apresentada com uma ótima arte. Entretanto, é isso. Não há profundidade na obra e nem tente encontrar algo do tipo no meio de tanto drama.

Kamisama Dolls

RA1KDAnime

Estúdio: Brain’s Base

Gêneros: Ação, Drama, Sobrenatural

Duração: 13 Episódios

Sinopse: É uma história que possui robôs controlados mentalmente, uma jovem peituda, uma irmãzinha e um anti-herói interessante. [MAL] [Wiki]

Dá pra resumir a minha impressão de Kamisama Dolls em uma frase: “Um anime que é um pouco mais do que, a princípio, parece ser.”

Eu não ponho muita fé em um anime que apresenta, em seu primeiro episódio, um protagonista palerma que tem uma irmãzinha e que convive com uma garota peituda. Além disso, o vilão misterioso bad boy também não é um tipo de personagem exatamente incomun e também se faz presente na obra. É clichê demais para o meu gosto. Não esperaria nada além de fanservice e algumas lutinhas legais já que o título também mostra uns pseudo-mechas.

O anime possui tudo isso, porém, para a minha surpresa, acabou mostrando coisas a mais. O que mais salta aos olhos quando você acompanha o título é a profundidade. Onde se esperaria encontrar personagens rasos, você encontra backgrounds bem feitos e personalidades não tão preivsíveis. Onde você acharia que a história tomaria um rumo clichê, Kamisama Dolls escolhe um caminho diferente. O título possui mistérios que, de fato, são misteriosos.

O momento que serve como melhor exemplo é o flashback Kyohei e Aki que mostra a história dos dois quando ainda viviam na vila. A relação deles com a sua professora (uma baita vaca), e como esta acaba afetando as decisões dos garotos e o segredo que a vila guarda, é algo muito bem desenvolvido e surpreendente. Depois desse flashback, as acontecimentos atuais do enredo passam a ser vistos de maneira diferente. Torna-se uma história bem mais intensa emocionalmente e, a partir disso, muito mais legal de se acompanhar.

Não vou falar muito dos aspectos técnicos do anime (coisas como trilha sonora, qualidade da animação e dublagem). Da mesma forma que nenhum desses me chamou atenção de maneira positiva, também não chamaram atenção de forma negativa. Sem coisas incríveis, mas sem coisas comprometedoras também. O que me interessou em Kamisama Dolls foi a história. Muito mais interessante do que uma compilação tosca de clichês que, a princípio, parecia ser.

Hajime

RA1HAMangá

Autores: Obata Takeshi (Arte) e Otsu-Ichi (Roteiro)

Gênero: Psicológico, Sobrenatural (Shounen)

Duração: 2 Capítulos

Sinopse: Dois garotos culpam uma garota imaginária por diversas travessuras que, na verdade, eles mesmos aprontam. Contudo, uma garota idêntica a imaginada aparece e apenas os dois conseguem vê-la. [MAL] [BU]

Não tem muita coisa para comentar a respeito de Hajime. É uma obra do Obata na qual se nota a tendência que o próprio mangaka explora mais tarde em Death Note. Trata-se do que eu gosto de chamar de “pseudo-psicológico”. Não tem como fazer uma obra, de fato, “psicológica” numa revista Shounen. Obra psicológicas são tensas, apresentam cenas pesadas e discussões polêmicas e, muitas vezes, são difíceis de ler. Um exemplo bom é Franken Fran.

O que Hajime apresenta é uma visão mais dark e realista de um fenômeno sobrenatural. Entretanto, tudo é feito dentro dos “limites shounen”. o mangá se abstém de ir mais fundo nos mistérios ou levantar questões mais complicada. Ele se preocupa bem mais com a estética e em criar essa atmosfera cult e dark que mais tarde Death Note abusaria.

Não se iluda. Nada é realmente cult e dark na história. Nem precisaria ser se os objetivos da obra forem estritamente comerciais. Ela só precisa parecer o suficiente para convencer o leitor.

Hajime não é ruim. O problema é que consiste de uma experiência como a maioria de one-shots publicados na Jump. Tem como o objetivo obter feedback do público a respeito de uma tendência que ainda era estranha a Jump (a pseudopsicologia). É bem possível que o resultado final disso tenha sido o próprio Death Note.

Shaman King

RA1OPMangá

Autor: Takei Hiroyuki

Gênero: Battle Shounen

Duração: 32 Volumes

Sinopse: Asakura Yoh é um Shaman, uma pessoa capaz de fazer a ligação entre o mundo dos vivos e dos mortos se comunicando com espíritos. O objetivo de Yoh é se tornar o Shaman King competindo num torneio que acontece a cada 500 anos. [MAL] [BU] [Wiki]

Shaman King foi uma obra publicada na Shounen Jump entre os anos de 1998 e 2004 e se caracterizou como um Battle Shounen de popularidade razoável. Apesar de nunca competir pelo topo da revista com Naruto e One Piece, conseguiu estabilidade suficiente para ter uma longa duração. Além disso, tivemos um anime adaptado da obra transmitido em terras tupiquinis (mesmo que eu não me lembre de quase nada dele).

A obra não tem um diferencial que seja tão notável a ponto de se dizer “É POR CAUSA DISSO QUE ELA FEZ SUCESSO”. Ao invés disso, é uma combinação de coisas que contribuem juntas para tal sucesso.

A primeira é a arte. A arte de Shaman King tem personalidade e é agradável. O desenho de Hiroyuki é bem simples e abusa de personagens caricatos. O Manta é absurdamente pequeno. O Yoh tem um cabelo “quebrado” e cara de sono. Entre outros exemplos. Mesmo assim, ela evolui com o tempo ficando mais detalhada e caprichada.

Outro diferencial é o protagonista. Yoh, como muitos outros protagonistas de Battle Shounen, é despreocupado. Contudo, ele leva isso ao extremo. Ele praticamente nunca se enfurece com nada e, nas poucas oportunidades em que acontece, ele se dá mal. Manter-se calmo, nas lutas de Shaman King, é essencial para a vitória, visto que a raiva apenas pode cegar um lutador. Essa mentalidade de Yoh é algo que é bastante trabalhado na série inteira. Isso não só o torna um personagem único, como também afeta toda a história.

Hao também é um vilão muito interessante. É um percursor da tendência de criar inimigos extremamente overpowers (Aizen de Bleach é um bom exemplo). São tão fortes que os autores acabam não tendo ideia de como lidar com eles. O Hao possui esse problema, mas não é tão grave quanto o Aizen. E, diferente dele, o comportamento de Hao e sua ideologia são explorados extensivamente durante boa parte da obra. O fim dele é um pouco decepcionante, mas, tendo em vista toda a obra e a abordagem dela com os demais personagens, vê-se que é consistente. O mesmo tipo de tratamento aplicado a quase todo os personagems de Shaman King é extendido a Hao. O caso dele é só um pouco mais problemático que o resto.

A morte é trabalhada de uma maneira única em Shaman King. Eu tenho a opinião de que Battle Shounens não apenas banalizam a morte, como também usam de toda a dramatização envolvida no processo, mas não pagam o preço exigido. Em One Piece, o Oda vive “matando” personagens afim de gerar choradeira e cenas emocionantes, porém é comum que estes mesmos “mortos” ressuscitem milagrosamente. É uma espécie de trapaça e sacanagem com o leitor. O fim do personagem e de todas as possibilidade de tramas e desenvolvimentos associadas a ele é o preço por toda a emoção associada a uma morte. O Oda e muito outros autores ignoram isso.

Em Shaman King, isso é jogado para o alto. Como os personagens da obra são shamans, a fronteira entre o que é vivo e o que é morto não é muito bem definida. Acontece de personagens morrerem e seguirem na aventura na forma de espíritos. Além disso, como a manipulação de espíritos por estes personagens é livre, é comum personagens ressuscitarem o tempo todo, pois basta seu corpo ser curado para que um espírito volte a ele. O drama da morte até existe, porque não são comuns os Shamans capazes de “ressuscitar” alguém; entretanto, Shaman King não abusa do drama.

Os backgrounds dos personagens são bastante trabalhados. Lembra-me One Piece nesse aspecto, mas não com o mesmo enfoque emocional. Ao invés de choradeira, discursos e sonhos, Shaman King tem mortes violentas, vingança e crime. O passado do Chocolove (sim, para você que não leu Shaman King, esse é um nome de um personagem) é exemplar. O que tem de gente com pais e parentes mortos em Shman King é um negócio de louco. O background do Yoh e da Anna envolvendo o gato Matamune também é muito legal. Consiste de um flashback muito bem conduzido no meio de uma das melhores partes do mangá.

Shaman King também é objetivo. Se você levar em conta o Kazenban (fim verdadeiro da história publicado separadamente). Ela não se extende além do que se propõe no início. Shaman King conta a história do torneio para se escolher o novo Shaman King e, tirando os arcos introdutórios, ele não se afasta disso.

Um dos pontos fracos de Shaman King são as lutas. O sistema que rege os poderes dos shamans é muito pouco restrito e o seu funcionamento e limitações não são claros. Os personagens podem usar qualquer técninca e não tem maneira realista do leitor ter noção do poder real das habilidades apenas pelo seu design. Por exemplo, o Hao é muito forte, mas, de que maneira, essa força se manifesta? Poder de fogo? Velocidade? Força bruta? Energia?

O sistema de oversoul e furyoku é particulamente bizarro. Ele é quantificado (todo personagem tem um número que representa o seu poder) e essa quantificação é muito importante, mas, mesmo assim, não é absoluta. O design dos poderes são completamente arbitrários e não limitam quais estratégias um personagem pode usar ou não. Vários tipos de upgrades e novas categorias de poderes são apresentadas a todo momento e elas não costumam seguir qualquer padrão. É uma bagunça se comparado com, digamos, o sistema de chackra de Naruto.

Shaman King é um mangá com alguns momentos de genialidade e agradável de ler. Possui muitas coisas que, se tivessem um pouquinho mais de carinho, tornariam a obra muito melhor. Um dos momentos mais legais que eu já vi em Battle Shounen foi a desistência do Yoh quando Ren “morreu”. Ele foi posto numa situação que muito shounen sequer cogita em abordar. É como se um vilão sequestrasse um nakama do Luffy e exigesse que ele desistisse do One Piece. É inimaginável que o Oda faça isso. Claro, SK dá pra trás, o que é uma pena, mas valeu a intenção. É uma obra que vale a pena conferir se você gosta bastante de Battle Shounen.

E, para quem não leva fé no que comentei a respeito do Hao, fica a imagem abaixo.

IMGSK

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2 respostas para Rápidas do Erequito #01

  1. Shiro disse:

    Falou sobre Shaman King? +Respect. É um dos meus Battle Shonens preferidos. Diferente de muitos por aí, ele tem uma ótima construção. Digamos que minha “saga” favorita foi a do Osorezan Revoir. É pleonasmo colocar Matamune e foda na mesma frase, mas esse foi o arco com a melhor construção de toda série. Apesar de ser um flashback ele explica muita coisa que está por vir.

  2. lucas disse:

    olá, comecei a acompanhar o blog recentemente, e gostei muito dos textos nele, parabéns pela qualidades destes.
    bem, sobre o post, preciso urgentemente reler shaman king, pois na época que li,tinha uns 10 anos com uma cabeça totalmente diferente com a que tenho agora, lembro muito vagamente de todos os arcos da série, mas como dito no comentário acima, o que me lembro ser melhor é o do flashback.. sobre jisatsu circle, coincidentemente li a obra a pouco tempo, e realmente apresenta criticas de modo raso, como dito no texto, mas nos abre a porta para pensar sobre uma realidade muito entristecedora e diferente da morte para certos grupos de pessoas no japão, o que me deixou bem incomodado, enfim, muito bom o post, ansioso pelo próximo

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