Primeiras impressões – Maoyuu Maou Yuusha

Maoyuu Maou Yuusha 01

Quase o esperado. Quase.

Unindo discussões econômicas com comédia romântica, surge Maoyuu Maou Yuusha. O anime, baseado numa Light Novel que deu origem a também alguns mangás, surpreendeu não só pela quantidade, mas também pelo próprio conteúdo apresentado em um único episódio.  Sendo uma de minhas grandes apostas e contando com uma proposta interessante e diferente dos demais da temporada, Maoyuu conseguiu corresponder às expectativas depositadas?

O universo do anime é centrado em uma guerra entre humanos e demônios. O grande Herói (Yuusha) invade o castelo da Rainha Demônio (Maou), determinado a derrotá-la e finalmente pôr um ponto final nesta guerra, que causou inúmeras mortes e levou tantos a miséria. No entanto, Maou propõe uma aliança, argumentando que o fim do embate acarretaria em uma guerra civil que abalaria ainda mais a sociedade. Agora, eles unem forças na tentativa de criar um final diferente.

Maoyuu Maou Yuusha 02

Lendo somente o início da sinopse, poderia jurar que seria somente mais um battle shonen genérico, no qual é cultivada a ideia que ao derrotar os terríveis demônios que tanto fazem mal a humanidade, todos viverão felizes para sempre. Na verdade, temos um ingênuo protagonista pensando assim, que não hesita ao se dirigir ao castelo da Maou e travar o que acredita ser sua última batalha. Como bem explanado pelo House, em sua review sobre um dos mangás, a dura realidade bate na porta do grande Herói e diz “Ei, não é assim que o mundo funciona”. Sua distorcida e unilateral visão de mundo é completamente destruída pelos argumentos da Rainha Demônio.

Maoyuu Maou Yuusha 03

É muito raro encontrar uma obra que defenda os benefícios advindos de uma guerra. Aqui, não temos somente pontos positivos, mas sim um universo, uma sociedade que quebraria completamente se esta terminar abruptamente. O roteiro é tão bem amarrado que não há possibilidade de contestar: uma espécie de escambo entre as Nações Centrais e do Sul [segurança por apoio econômico]. Sendo assim, caso a guerra terminasse, as Centrais não enviaram nem mesmo alimentos para as do Sul – ainda causando uma crise econômica que transformaria ricos comerciantes em miseráveis num único estalar de dedos –, que, pobres e sem capacidades de ao menos alimentar seu povo, faria o que aprenderam durante a fatídica guerra travada contra os demônios: lutariam por um futuro melhor. Se a guerra terminasse, independente do lado vitorioso, a centralização política [ou seja, uma união para lutar contra o inimigo em comum] ruiria e isto acarretaria em um confronto entre o povo vencedor. Por alimentos, por terras, por escravos.

Maoyuu Maou Yuusha 04

Mais um choque para nosso protagonista. Sua visão utópica sobre a humanidade chega ser cômica, ignorando ou fingindo ignorar o que viu minutos antes: toda uma elite que cresceu e se mantém no topo graças ao sangue de um povo que trava batalhas de vida ou morte diariamente. Como já dito anteriormente, a organização social dos demônios não é muito diferente. É interessante ressaltar que em uma guerra não há um lado “do bem” e outro “do mal”. São embates por interesses. É muito fácil afirmar que seu inimigo, ainda mais se este utiliza habilidades que você não conhece, é um ser repugnante.  Na melhor sequência do episódio, após Yuusha afirmar que demônios são seres malignos, Maoyuu contesta “E quem decidiu isso? Então, você recebeu direitos de Deus?”.

Maouyuu Maou Yuusha 05 Eles são tão diferentes assim?

Esse tom mais realista em universo onde esperamos algo mais “bobinho” é um dos diferenciais da série – claro, aliado a um roteiro coerente. No entanto, diria que forçaram demais uma comédia romântica que quebrou o clima da obra. Deveríamos ter uma atmosfera de “discutir o destino do mundo”, porém você não consegue sentir a seriedade com alívios cômicos a cada minuto e personalidades infantilizadas demais. Os próprios diálogos sofreram bastante [aqui, comparando com a adaptação de mangá lida exatamente por sentir falta de explicações mais detalhadas], pois foram simplificados para uma compreensão facilitada do público alvo interessado principalmente neste tipo de plotobjetivando também gastar preciosos minutos com o bem conhecido fanservice. Uma pena, pois uma dosagem melhor ocasionaria um melhor resultado.

Sim, uma dosagem melhor seria suficiente. Não seria necessário, nem mesmo viável, uma completa exclusão, visto que essas cenas deixam o anime menos cansativo e são um ótimo complemento para a obra. Só precisava ser um pouco mais sutil e melhor encaixado. Claro, poderia ser bem pior [ainda mais quando falamos do estúdio ARMS, temos um resultado satisfatório], porém é um potencial desperdiçado.

Maoyuu Maou Yuusha

Quanto à parte técnica, os cenários estão excelentes. O baixo orçamento [incluindo aqui o CG pobretão] é driblado por uma ótima direção. Movimentos de câmera e diversas trocas de cena enquanto ocorre o episódio, seguindo a técnica “Show, don’t tell”, teve um bom resultado. Seria melhor caso não tivesse sequências tão reduzidas, mesmo assim, foi satisfatório.

Maoyuu Maou Yuusha 07

Esse é o problema. Provavelmente, vai ser um dos melhores animes da fraca temporada, quando poderia ser bem mais. Li somente o primeiro capítulo da adaptação em mangá “Maoyuu Maou Yuusha – “Kono Watashi no Mono Tonare, Yuusha yo” “Kotowaru”!” e afirmo que foi um dos melhores inícios que já cheguei a ler. No fim, é apenas uma questão do que você procura. O anime é mais apelativo e raso quanto à política/economia, enquanto o mangá é mais sólido e menos colorido [mesmo assim, não deixa de ter a comédia romântica. Muito pelo contrário, aqui casa perfeitamente, ao menos no primeiro capítulo]. Somente escolhas e, quanto a temporada, Maoyuu é uma das melhores que você pode fazer.

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Sobre Hegff

Apenas mais um perdido neste mundo.
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9 respostas para Primeiras impressões – Maoyuu Maou Yuusha

  1. Lucas Medeiros disse:

    Grande resenha Hegff… é uma pena que esta que é claramente uma das minhas obras favoritas foi tão prejudicada pela execução. Penso que a própria mudança de mídia demandaria alguns cuidados maiores. Até conseguiram driblar o mais grave com o “show don´t tell”, mas penso que é ncessário refinar mais esta técnica a ponto de condençar mais os diálogos.
    A todos que verem o anime, recomendo fortemente ler o mangá… tem várias versões e de certa maneira é uma fantástico exercício para se entender melhor adaptações.

  2. Mike disse:

    Oo, tinha lido apenas o resumo do Leituras Caseiras #01 sobre Maoyuu, mas agora depois de ver esse episódio e ler essa ótima análise estou com muita vontade de ler as LN e mangás.
    Alguém que acompanha os mangás sabe me dizer quais as principais diferenças de cada um deles e quais estão sendo feitos por scans em inglês. >>>>
    Vou dar um pulos aqui pra conseguir convencer alguém a faze-lo.

    • rauzi disse:

      Opa, eu não acompanho todos, mas li alguns capítulos de todos, acho que dá pra ajudar. O “Maoyuu Maou Yuusha” é bom, lembra bastante o anime, mas eu particularmente odeio a tradução. O “Maoyuu Maou Yuusha – Oka no Mukou e” é bastante moe, bem menos sério, gosto dele. Esses dois estão bem atrasados com as scans.

      Os dois que estão sendo updateados regularmente são “Maoyuu 4-koma – You’re Horrible, Maou-sama!”, que é um 4-koma adorável e estupidamente divertido, e aquele que eu comento nas Leituras Caseiras, que é um dos meus mangás preferidos em andamento, sem dúvida o que mais recomendo.

      • Mike disse:

        Queria ler o mais serião Maoyuu Maou Yuusha – Oka no Mukou, mas com a tradução muito ruim fica difícil convencer algum scan, esse moe não me parece ser muito bom, então vou ver se consigo com esse 4-koma.

  3. HOUSE of VACA called HEGFF and your half-brother called SKETCH disse:

    Curti pra caramba esse anime, acho que vou acompanhar.
    ah e otimo post como sempre.

  4. wiver disse:

    curti pra caramba esse “primeira impressão”

    Gostei principalmente da analise da guerra dentro do manga o que me fez interessar um pouco pela obra

  5. Kami disse:

    Boa análise.
    Gostaria de saber aonde consigo a novel, mesmo sendo em inglês, grato!

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