Leituras Bovinas #01

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É isso aí pessoal, bem-vindos à Fazenda.

Inicio as Leituras Bovinas, uma coluna que ainda não decidi se será quinzenal, mensal ou irregular (podendo sair a qualquer hora).

O esquema é basicamente o mesmo das Leituras Caseiras, do Rauzi. Não farei ranking nem darei nota a obras e capítulos. E a sequência de apresentação será sempre alfabética.

Haverá uma rotatividade grande de obras, porque comentarei tanto capítulos recentes como recomendarei obras menos conhecidas. Antes de cada obra comentada colocarei pequena ficha da mesma, e destacarei o número de capítulos traduzidos (informação sempre referente aos capítulos traduzidos para o inglês, já que para o português quase sempre haverá menos traduções).

Nesta primeira coluna, especificamente, tratarei apenas de obras da Weekly Shounen Jump e da Jump Square que tenham poucos capítulos lançados e/ou traduzidos. Assim que forem saindo novos lançamentos e traduções, irei comentando. Quero aproveitar esse espaço não só para comentar capítulos lançados, mas também falar de várias obras que não exigiriam uma review.

Já adianto que mangás que eu considerar ruins não terão muito espaço. O normal é que eu faça um comentário explicando a razão de eu achá-lo ruim (como acontecerá com alguns exemplos dessa edição) e depois deixá-lo de lado. Se por acaso a obra melhorar, posso voltar a comentá-la sem problemas.

Enfim, segue lista das dez obras comentadas na primeira edição:

1/11; Boku to Majo no Jikan; Cross Manage (imagem do post); Haikyuu!; Hungry Joker; Nisekoi; Saiki Kusuo no Psi Nan; Shinmai Fukei Kiruko-san; Shokugeki no Souma; Teiichi no Kuni.

Então é isso, sintam-se à vontade para comentar, criticar, xingar, debater, etc.

1/11 (Juuichi Bun no Ichi)

Autor: TAKATOSHI Nakamura

Revista: Jump Square (desde 2010)

Volumes: 3 (2 traduzidos)

É a primeira obra do autor.

Mangá de futebol, mas vai além. Não se engane pelo início monótono do primeiro capítulo, pois antes do final há um plot twist interessante. Os primeiros capítulos são todos dedicados a apresentar personagens, e o bacana é a sensibilidade com que se abordam dilemas, sonhos, desejos, transformando um mangá de esporte em algo mais existencial, porque todas (exceto uma) as pequenas tramas apresentadas até agora trazem personagens ligados ao futebol, mas que de alguma forma seus problemas se estendem à vida pessoal. É o caso da garota que quer treinar um time de futebol, mas encontra resistência por parte do pai, ou do pequeno moleque se esforça pra ser reconhecido em sua roda de amigos, ou ainda todo o drama de um goleiro reserva, provavelmente a função mais ingrata do futebol (não, perde para a do árbitro). Você realmente sente os personagens, e isso já é um feito bastante relevante. Provavelmente teremos esporte com pitadas slice, mas de modo mais sentimental que o enérgico Giant Killing (que ainda terá espaço por aqui). Não tivemos partidas, treinamentos, situações dramáticas, nada disso, apenas um enfoque bastante especial na vida dos personagens. O tema parece ser a luta para realizar seus sonhos, mas aqui é apresentado de modo refinado, realista, que tenta reproduzir a situação existencial do leitor, tenta fazer os personagens viverem dúvidas e dificuldades que pessoas reais vivem (você inevitavelmente irá se identificar com algum dos personagens, mesmo que odeie futebol). O título por si só esclarece muita coisa da tônica da obra: 1/11, ou seja, é um time, são 11 jogadores, mas cada elemento é único, fundamental e especial em seu próprio mundo. Abordar equipe não significa transformar os membros em uma grande massa, mas respeitar cada um em sua especificidade. Por outro lado há o “11”, há a equipe. Enfim, parece que o mangá entrou em hiato após o volume 3 e deve retornar em breve.

Boku to Majo no Jikan

Autor: SHIN Arakawa

Revista: Jump Square (desde 2011)

Volumes: 4 (1 traduzido)

Outro marinheiro de primeira viagem, e que se não cuida pode acabar naufragando.

Início excessivamente clichê. Protagonista padrão, que de novo tem apenas o costume de verificar e acreditar piamente em horóscopos, que em certo dia informa-o que ele terá um novo romance. Indo para a escola é atropelado para um caminhão, e acorda 5 dias depois em novo corpo, já que o seu havia sido destruído mas o cérebro sobrevivera. A responsável é uma garota cientista/bruxa que adora fazer experimentos com seres humanos, mas sem nada do brilho, do carisma e da genialidade de uma Franken Fran. A trama que segue é o envolvimento dos dois em vários pequenos casos com seres humanos dotados de poderes estranhos ou com seres sobrenaturais propriamente ditos, mas sempre de um modo convencional e sem inspiração. O mangá é permeado de comédia e nem isso se salva. Talvez se houver um aprofundamento da dicotomia bruxa/cientista vivenciada pela mesma personagem poderemos ter algo interessante, mas até lá é apenas especulação.

Cross Manage

Autor: KAITO

Revista: Weekly Shounen Jump (desde 2012)

Volumes: – (4 capítulos traduzidos)

Kaito tem um interessante one-shot chamado Anti Love Sentai – Hayata Joe, sobre o estranho envolvimento de super-heróis que ‘tentam’ ajudar um garoto tímido a superar sua dificuldade com garotas. E não, a abordagem não é a clássica “vá lá, acredite em você!”. É divertido, deem uma olhada.

Destas obras que ainda estão na faixa perigosa de poucos capítulos e pouca popularidade, que pode resultar em navalha a qualquer hora, Cross Manage parece ser aquela mais interessante, embora tenhamos pouquíssimos capítulos traduzidos. Mas também, poxa, é um mangá de lacrosse, um jogo que praticamente não é popular em lugar algum, o que complica o seu sucesso. Conversando com o Rauzi ele retrucou com um bom argumento: “a estratégia pode ser popularizar o esporte, assim como outros mangás já fizeram”. Pode ser, mas lembremos que futebol, basquete, tênis e outros já eram populares ou ao menos bastante conhecidos no mundo inteiro antes de terem seus clássicos mangás, já lacrosse não é popular em nenhuma parte do mundo.

Bom, meu comentário acima deve-se apenas à questão “estratégia de sobrevivência”, porque para mim lacrosse está bom demais. Poxa, é algo diferente, que foge do trivial, e que pode expandir a cultura do leitor. Eu realmente gostei da opção por lacrosse (pensando em mim).

Mas calma, até agora praticamente a história nem entrou no lacrosse propriamente dito, tendo o foco na relação entre Sakurai, o típico cara entediado, e Toyoguchi, a enérgica criadora do clube de Lacrosse. A garota é a típica apaixonada pelo jogo, mas que ao mesmo tempo carrega a sina de ser ruim. Não importa, ela realmente se diverte jogando (e quem não tem uma relação assim com algum esporte/jogo?), mas depois de alguns acontecimentos acaba treinando e melhorando, com a ajuda de Sakurai, que ainda se torna o treinador do time. O plot é simples, mas a relação de opostos entre os dois personagens é tocada de modo legal e a arte se destaca quando tenta captar os sorrisos contagiantes de Toyoguchi. Tem um clima legal. Tomara que não seja cortado, e tomara que a scan não desista, já que está bem atrasada em relação ao Japão.

Haikyuu! (High Kyuu!)

Autor: FURUDATE Haruichi

Revista: Weekly Shounen Jump (desde 2012)

Volumes: 3 (30 capítulos traduzidos)

Furudate já teve uma obra publicada na WSJ e que durou apenas 18 capítulos. Trata-se de Kiben Gakuha, Yotsuba Senapi no Kaidan, sobre um moleque bizarro apaixonado por criar e resolver mistérios. Obra falha desde a concepção, por “falta de inspiração” e trama conduzida no limiar do desespero (devido à aproximação da navalha), que resultou em relações entre personagens mal construídas, quebras de rumos desnecessários, entre outros problemas.

A falta de inspiração persiste em Haikyuu!, mas ao menos agora o autor conseguiu criar uma trama mais sólida. É mais um mangá de esporte, sendo agora o vôlei. O foco é na relação entre Hinata, o baixinho que quer ser gigante, e Kageyama, o “Rei”. A eles vão se juntando uma série de outros jogadores. O forte de Haikyuu! é claramente o roteiro exclusivamente intravôlei, isto é, tudo se resume a treinamentos e jogos, e mesmo as intrigas e problemas pessoais possuem origens apenas no vôlei. Esta opção possibilita uma carga de ação bem mais consistente. Os jogos são legais, sendo a partida atual entre os Corvos e os Gatos a mais interessante até agora. Entretanto, acarreta a seguinte situação: a transformação do vôlei em um mundo a parte. Ok, é uma opção plenamente válida, mas nesse caso exige-se um aprofundamento maior e uma exploração bem mais consistente desse mundo (não apenas do vôlei em si, mas da convivência entre os jogadores, das dificuldades de relação entre eles, já que no fim teremos uma história espartana). Observem, Haikyuu! até agora ignorou o mundo exterior, e esta opção precisa ser enfrentada de modo consistente, do contrário a falha é grave (nada nesse mundo ocorre desvinculado da vida pessoal). Se o forte de 1/11 é a sensibilidade existencial, o de Cross Manage é a relação entre personalidades tão distintas, em Haikyuu! são claramente a ação e a emoção dos jogos. Enfim, é sim uma obra interessante e que merece ser lida. A ideia de “pular o mais alto possível” é claramente carregada de mensagem motivacional, o que é sempre importante para mangás de esportes.

Última nota: Haikyuu! praticamente só tem personagens masculinos, e muito ligados entre si pela questão “time”. Há uma personagem feminina que apareceu quase nunca e teve participação ativa menor ainda. Nada contra essa opção também, mas não reclamem do sucesso fujoshi e delas manterem esse mangá existindo. Lendo Haikyuu! tive a impressão de ser um mangá feito para elas. Válido.

Hungry Joker

Autor: TABATA Yuuki.

Revista: Weekly Shounen Jump (desde 2012)

Volumes: – (4 capítulos traduzidos – atualizado)

Outro autor de primeira obra.

Que falar desse mangá? Bom, o autor é iniciante e está desesperado para sobreviver, por isso amenizo as críticas. Em apenas 4 capítulos o cara já apelou a combates, frutas com poderes sobrenaturais, desabamento de prédios, puxadinha de saco do chefe, e por aí vai. A trama é a de sempre, apenas com a pseudo inovação de usar “cientistas”, que no fim é igual aos piratas, ninjas, mafiosos ou quaisquer outras categorias que não passam de desculpas para bolas de energia, raios luminosos e coisas do gênero. As referências às ciências extrapolam o patético e inclusive aquelas anedotas com mensagens óbvias são transformadas em piadas ruins (a frase do Edison foi deturpada de um modo que o cara certamente teve um ataque, seja lá onde ele  estiver, provocando um dia a menos de invenção, seja no Céu, Inferno, Soul Society, meio da Terra, ou qualquer buraco). O autor não tem relação íntima com ciência, e isso inevitavelmente gerará uma trama sem sal e distorcida. Cara, fale sobre o que você gosta, sobre que lhe apaixona. Hungry Joker se resume a coisa de sempre, mas como quase tudo já foi utilizado como desculpa para battle shounen o autor deve ter ficado batendo cabeça dias e dias para descobrir algo ‘novo’, até que em um momento de prejuízo mental teve a infeliz ideia de fazer com cientistas. Nada contra fazer com cientistas, mas faça se você tiver a manha, e então faça com propriedade, não apenas como desespero para sobreviver no mercado. Enfim, das dez obras comentadas Hungry Joker é de longe a pior de todas, a perfeita expressão da crise criativa que vivem os battle shounen da WSJ. Autor iniciante, boa sorte para ele na próxima vez.

Nisekoi

Autor: KOMI Naoshi

Revista: Weekly Shounen Jump (desde 2011)

Volumes: 4 (53 capítulos traduzidos)

Komi é um talento a ser acompanhado. Começou a carreira fazendo vários one-shots, os quais eu destaco Williams e Koi no Kamisama, e principalmente o excelente Island (sua melhor obra até agora, e que consegue emocionar o leitor, transmitindo paixão e crença nas pessoas a cada traço). São obras que retratam muito bem o estilo infantil do autor, no bom sentido do termo, que tenta reproduzir os sonhos de infância, as ingenuidades de infância, aquela pureza da criança que ainda não entende o mundo e não apagou sua faísca de fantasia, imaginação, aventuras, uma pureza que por hora é tão exagerada a ponto de se tornar brega, mas que mesmo nesses momentos mantém seu valor. Essa inspiração mantém-se em Double Arts, obra serializada na WSJ e cancelada após 23 capítulos, o que resultou em mudanças questionáveis durante a trama e no prejuízo de sua qualidade. Mas alguns momentos de Double Arts revelam que Komi tem potencial para aventura, ainda que para isso precisará a desenvolver tramas com mais ação.

Double Arts tem outro problema e que ainda se repete em Nisekoi. Aliás, é algo que o autor ainda não aprendeu: construir personagens. Nos one-shots as tramas venciam no clima, ambientação e mensagem, e não pelos personagens. Double Arts se mantém na premissa e nas suas peculiaridades, não na dupla apática de protagonistas, e por hora é limite de Nisekoi. Nisekoi é legal, a ponto da leitura de 50 capítulos ser rápida e fluída, mas isso se deve muito à competência de Komi de criar um bom clima de amor juvenil ingênuo. Pelo menos no meu caso, acompanho mais pela trama em si e pelas relações entre os personagens do que por eles mesmos. Em tempo, a sequência de capítulos após o 40, principalmente da praia e da peça de teatro, são o ponto alto da trama até agora.

Enfim, seja no sonho de aventura fantástica (Williams), de expandir o mundo (Island), da união salvar o mundo (Double Arts) ou da promessa de infância (Nisekoi), Komi sempre revela o charme dessa crença ingênua em algo melhor. Isso é muito respeitável. Precisamos de autores mais limpos como ele.

Saiki Kusuo no Psi Nan

Autor: ASOU Shuuichi

Revista: Weekly Shounen Jump (desde 2012)

Volumes: 4 (4 capítulos traduzidos)

É a terceira chance de Asou na WSJ. Em 2007 estreiou com Boku no Watashi no Yuushagaku, que durou 66 capítulos, e em 2009 foi cancelado na navalha dos 20 com Shinseiki Idol Densetsu: Kanata Seven Change. Ambas as obras sem tradução.

Saiki Kusuo nasceu com poderes paranormais (e muitos deles, telepatia, telecinese e por aí vai), e isso claramente traz muitas dificuldades de adaptação social (nada fácil sair por aí ouvindo pensamentos alheios). O resultado é alguém fechado, que por vezes confunde com arrogância, mas não, é apenas manifestação de sua dificuldade de viver em uma sociedade onde você tem trocentos poderes e o restante, nada (o ótimo monólogo do capítulo 2 sintetiza isso e parece transmitir a tônica da série). Psi Nan é uma boa surpresa de início, uma comédia bem interessante envolvendo poderes paranormais. Comédia só precisa divertir, se ela conseguir isso com competência já tem o dever de casa bem feito. Por hora, Psi Nan vem cumprindo a tarefa (a cena da imaginação de “mulher”, “mãe”, “mudez”, “mãe nua é realmente hilária). Poxa pessoal, se o autor realmente der conta de fazer uma comédia cheia de situações paranormais já não seria legal pra caramba? Não precisamos de mais bolas de energia e raios luminosos, por favor.

Obviamente sempre há porta para transformar isso em battle shounen (basta encher de gente com poderes paranormais), mas tomara que não tome este rumo. A comédia pura e simples já está de bom tamanho. Se bem que Psi Nan vem conquistando boas posições na ToC, o que sempre dá alguma esperança.

Shinmai Fukei Kiruko-san

Autor: HIRAKATA Masahiro

Revista: Weekly Shounen Jump (desde 2012)

Volumes: – (3 capítulos traduzidos – atualizado)

Outro autor novato.

A trama segue Kiruko, uma policial que inicia atividades em determinado departamento, e que começa a cumprir tarefas, acompanhada de colegas de trabalho (principalmente Haruki, o tarado típico). Kiruko é uma figura bizarra, com dificuldades para dialogar adequadamente, mas que possui uma força absurda, revelada geralmente em situações de perigo. É mais uma comédia, e pelo que andei ouvindo vem conseguindo popularidade razoável no Japão. Não é ruim, mas menos criativa que as comédias de Ansatsu Kyoushitsu e de Psi Nan, e isso pode custar espaço mais a frente. De qualquer forma é digno de nota o aparecimento de tantas comédias recentemente.

Assim como Psi Nan também tem brecha para virar battle shounen (a força muito acima da média da Kiruko não mente), mas não parece inevitável.

Shokugeki no Soma

Autores: TSUKUDA Yuuto (Enredo); SAEKI Shun (Arte)

Revista: Weekly Shounen Jump (desde 2012)

Volumes: – (2 capítulos traduzidos – atualizado)

Tsukuda publicou em 2010 na WSJ o mangá de futebol Shounen Shikku, que durou 2 volumes e não tem tradução disponível. Já o responsável pela arte, Saeki (também conhecido por Tosh), é famoso por seus mangás hentai, como Menkui! e Harem Time.

A trama segue o protagonista, que sonha em superar as habilidades culinárias de seu pai. Para isso vai a uma escola superior de culinária, onde apenas 10% dos alunos conseguem a graduação. Enquanto isso seu pai amplia suas experiências trabalhando na Europa.

O primeiro capítulo é consideravelmente sem graça, mas o segundo já melhora bastante. O desafio da mulher de excelente paladar ao protagonista está interessante. Além disso, Tosh consegue transmitir certo feeling hentai nos traços, e se este estilo for mantido é possível criar algo interessante combinando gourmet, erotismo e ecchi. Um bom filme que tratou de trama como essa (vínculo entre intencionalidade do chef e o efeito provocado pelo prato) e com qualidade é Como agua para chocolate (1993), que eu recomendo.

Que não se transforme em mais um shounen genérico de escolinha. Que seja de escolinha, mas que aproveite as potencialidades que o universo escolhido oferece (gourmet, ecchi, etc).

Teiichi no Kuni (Teiichi’s Country)

Autor: FURUYA Usamaru

Revista: Jump Square (desde 2010)

Volumes: 4 (1 traduzido)

Furuya é um grande autor que no início da carreira publicou algumas obras avant-garde de primeira linha, como Palepoli e Plastic Girl, e que desde então vem produzindo muita coisa, sendo que algumas vezes acerta e outras nem tanto. Suas obras mais conhecidas são Marie no Kanaderu Ongaku e Litchi Hikari Club. Muito em breve publicarei um post completo sobre este autor, por hora só quero frisar que com o passar do tempo ele foi abandonando cada vez mais sua pegada avant-garde e ficando mais convencional, a ponto de já estar publicando sua segunda obra na Jump Square (a primeira foi a simpática Genkaku Picasso, com três volumes).

Em Teiichi no Kuni vemos Akaba Teiichi iniciando seus estudos em um colégio elitista de segundo grau, notório por revelar as lideranças políticas japonesas. Teiichi é extremamente ambicioso e tem o objetivo de se tornar Presidente do Conselho Estudantil como uma questão de vida ou morte, ou melhor, de ser o número 1 em absolutamente tudo. Para isso antes é preciso obter a função de presidente da sua classe. Não se enganem, não é uma história de escolinha. O foco são as relações políticas, as estratégias para conseguir poder, as jogadas clandestinas, os subornos, a pressão familiar, os donos do poder, as ideologias, e tudo isso mesclado a pitadas românticas (como a relação do protagonista com sua namoradinha, em uma jogada nostálgica com telefone de lata). E a arte? É Furuya oras, e isso é garantia total de qualidade nos traços. A arte reflete a história intensa, com personagens em falas e posturas dramáticas, sendo que muitas vozes aproximando bastante o leitor das expressões faciais dos personagens. A ideia de um grupo de garotos ambiciosos, com padrões culturais diferentes daquele exigido pela moral social e ainda com feições mais ‘femininas’ certamente lembra o pessoal de Litchi Hikari Club, mas faço aqui minha aposta: Teiichi terá argumento sério e uma trama interessante, diferente daquela piada de mau gosto.  Temos 3 volumes publicados e apenas o primeiro traduzido para o inglês.

É isso aí pessoal, até a próxima!

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