Sora no Woto

“Amazing Grace, how sweet the sound

That saved a wrench like me

I once was lost, but now am found

Was blind, but now I see”

Sora no Woto (em tradução livre, O Som do Céu) é um anime original de 2010, produzido pelo estúdio A-1 Pictures e dirigido por Mamoru Kanbe. A obra gira em torno de Sorami Kanata, uma garota de 15 anos em um mundo pós-apocalíptico tomado por uma guerra. Quando criança, Kanata ouviu uma versão da música “Amazing Grace”, tocada no trompete por uma solitária oficial do exército. E isso motivou a garota a se juntar ao exército, pelo simples motivo de aprender a tocar música (já que estruturas como escolas não existem mais, o exército se torna um dos poucos lugares onde isso é possível). Sorami Kanata se junta à 1121ª Fortaleza do Exército da Helvetia, situada na cidade de Seize, na borda da Terra de Ninguém. E a obra começa.

Antes de começar a falar diretamente do enredo, das personagens, da trilha sonora ou de qualquer outro ponto que eu normalmente gosto de abordar, nesse anime em particular preciso fazer uma digressão extremamente longa que, em um mundo ideal, ou pelo menos em um mundo um pouco mais razoável, eu não precisaria fazer. Vamos lá.

Existe uma orientação geral para Sora no Woto, um princípio pelo qual o anime se norteia. Não estou me referindo ao tema da obra, de conceitos para personagens ou qualquer um desses contextos nos quais qualquer obra se foca, ou deveria se focar. Falo de algo que define o modo pelo qual a obra aborda esses temas: se de maneira óbvia, de maneira crítica, de maneira direta, ou qualquer coisa assim. Em Sora no Woto, esse princípio é o da sutileza. De início, esse é um anime que não quer ser muito direto, não quer deixar cada impacto e cada tema diretamente às vistas do espectador. Não é uma obra TÃO sutil assim; não exige muito da capacidade do observador para conectar os pontos e entender as cenas, mas exige atenção. Bem mais atenção do que a média.

“I thought glass was just pretty, but it’s also complex”

Mais interessantes são os motivos pelo qual a obra adota isso. Sora no Woto precisou ser sutil para tentar vender. Explicando: a obra adota superficialmente um estilo de “garotas fofas fazendo coisas fofas”, o vulgo moe. Sora no Woto até usa um character design extremamente sugado (pra não dizer “idêntico ao”) de outro anime. Até certo ponto, ele tenta fingir que é apenas mais um anime sobre garotas fofas fazendo coisas fofas. O que ele até é, mas não é apenas isso. Passa muito longe de ser.

Não consigo deixar isso claro sem um leve exemplo, então, se não quiser saber NADA sobre o enredo da obra por enquanto, volte no FIM DOS PEQUENOS SPOILERS, pois temos PEQUENOS SPOILERS ADIANTE.

No episódio 4, que fala muito de Noel, a garota calada do grupo das cinco, existe uma cena em que ela tenta ajudar um garoto caído e leva um tapa como retribuição. O garoto é um órfão de guerra que odeia soldados indiscriminadamente por motivos óbvios, e fica revoltado até mesmo com as garotas, que nunca fizeram mal direto a ninguém.

Olhando por uma perspectiva superficial, a reação que um espectador mais desatento tomaria seria odiar o garoto. “Ele foi malvado com a garota fofa, ele não entende a situação, a Noel e a Kanata são boas pessoas!” Um espectador um pouco mais razoável poderia entender o garoto; “Ah, o pobrezinho não entende a situação, o coitado perdeu os pais. Ele está errado, mas não é culpa dele”.

Sora no Woto não se limita a isso. A reação que Noel tem à situação é a mais relevante. A fala da garota é simples: “Ele está certo. Nós somos soldados”. E, pasmem, elas SÃO soldados! Todas as cinco garotas fofas do grupo fizeram um juramento com o exército. Se a situação surgir, elas têm que matar mais pais, elas têm que fazer novos órfãos. Sendo soldados, é a função delas! No fim das contas, o garoto não está 100% errado. No fim das contas, na situação necessária, todos os soldados realmente SÃO iguais aos matadores dos pais dele. Precisam ser. Se não forem, não são soldados.

E para um espectador desatento, e principalmente para um desatento por opção, essa reação de Noel, essa verdadeira expressão do que é ser um soldado, pode passar batida. A parte realmente relevante mal dura cinco segundos, muitos podem preferir ignorá-la. E, para o sucesso do anime, talvez fosse benéfico que o público a ignorasse: boa parte do público que realmente gasta dinheiro com anime não gostaria de ver a bondade e moralidade de suas garotas fofinhas questionada.

FIM DOS PEQUENOS SPOILERS

O princípio da sutileza não foi bem sucedido em termos de angariar vendas (até porque o anime meio que o abandona em determinado ponto; mais sobre isso depois), como é fácil notar olhando o número de vendas da obra, que não é nada imenso nem minúsculo, mas foi muito bem sucedido em algo muito mais importante; criar uma boa série. Sora no Woto tenta vender, sim, mas Sora no Woto nunca se prostitui por isso. O mecanismo escolhido para tentar angariar vendas, a sutileza, não atrapalha nem contribui para a qualidade da obra, ele é a obra. Não há como determinar como seria Sora no Woto se fosse menos sutil. Isso faz parte da construção e do objetivo da obra. É uma escolha perfeitamente válida, e funciona. E como funciona. Mas isso fica pra depois.

Outra escolha da obra para angariar vendas é o character design. Esse pode parecer um pouco mais difícil de justificar, especialmente quando se tem em mente a magnífica arte conceitual de Mel Kishida (logo acima desse parágrafo). Porém, mais uma vez, a tentativa de angariar vendas não prejudica a qualidade do anime. Na verdade, o character design é incrivelmente eficiente em todos os sentidos; funciona muito bem em todo o elenco, em todas as situações. Cada evento, seja feliz, triste, emocionante, relaxante ou qualquer outra categoria, é muito bem complementado pelo character design. Em especial, Sorami Kanata, cujo design é simplesmente perfeito para o tipo de personagem que ela é. Novamente, é uma escolha perfeitamente válida e que funciona.

Eu honestamente sinto raiva de mim mesmo por estar gastando tanta energia no que já compõe duas páginas de Word, e não menos de tudo o que me cerca em qualquer mídia ou “crítica” de mídia, por me levar a escrever esse inferno. Eu realmente espero soar como um imbecil para alguém que não faz parte do que eu vou comentar ainda mais agora. Se você achar essa parte do post inútil, você é uma pessoa feliz distante do câncer que podem ser fóruns de internet. Se não, aqui vem uma bomba de perguntas retóricas.

Nós realmente precisamos nos prender tanto as vendas para qualificar uma obra, para o bem ou para o mal? Se Sora no Woto sofreu com estúpidas comparações com certa obra (e eu NÃO estou falando que tal obra é ruim, só que elas são bem diferentes) baseadas em nada além de character design, obras ruins são justificadas só e somente só pelo fato de estarem vendendo. Não poderíamos deixar isso de lado de vez em quando? Não podemos dizer que um anime é bom pelo que ele tem em seu enredo, seus personagens, seus aspectos técnicos ou qualquer outro critério que não seja tão volúvel? Não podemos dizer que um mangá, ou livro, ou filme, ou seriado de TV, ou qualquer obra de qualquer mídia de arte/entretenimento é ruim por não passar em exames similares? Quando falarmos de One Piece como obra, de suas qualidades e defeitos, não podemos ignorar o fato de One Piece ser o mangá mais vendido do Japão? Não podemos, não DEVEMOS ignorar vendas em um debate sobre qualidade?

No mundo ideal, creio que obras que vendem, ou querem vender, ou não vendem, ou não querem vender, seriam julgadas como boas ou ruins de maneira totalmente independente desse detalhe. No mundo ideal, isolaríamos eventos mercadológicos para falar da qualidade da obra. E no mundo ideal, essa imensa digressão seria inútil, pois ninguém olharia para os objetivos de mercado que uma obra tem ou teve para definir sua qualidade. No mundo ideal, eu estaria falando obviedades imensas e estúpidas.

Estamos terrivelmente longe do mundo ideal, e poucos exemplos são mais claros em mostrar isso do que Sora no Woto. Mas cansei dessa conversa. Vamos falar de anime?

Acredito firmemente que uma das características definidoras do gênero “ficção fantástica” é o seu ambiente. A fantasia, afinal, se propõe a criar um novo universo para servir de ambiente à obra. Não há termo mais pesado em suas implicações do que “criação de universo”. Uma obra que se propõe a ser fantasia automaticamente se propõe a criar um universo, e isso implica em consequências imensas.

Faça o seguinte: pense no nosso mundo. Nos climas, nas floras e faunas, nas culturas, nas línguas e nas relações entre tudo. Passe alguns minutos pensando na complexidade do nosso mundo, na magnitude que ele tem. A fantasia se propõe a criar um mundo. E o mundo criado, pra merecer o nome de mundo, precisa ser tão fascinante e rico quanto o nosso. É uma das missões mais difíceis que qualquer obra pode ter.

Sora no Woto cumpre essa missão com louvor. Toda a belíssima cidade de Seize (e aqui cabe um destaque para o trabalho visual do anime; apesar da animação não se destacar, os backgrounds são tão lindos que me dão vontade de pausar o anime para apreciá-los), a lenda e o costume em torno das Donzelas de Fogo, músicas típicas, línguas, culturas, Impérios e Igrejas, tudo é tão vivo e palpável como o nosso próprio mundo.

E é importante mencionar a relação que esse mundo tem com o nosso. Afinal, Sora no Woto é um futuro pós-apocalíptico do nosso mundo. E como ele é convincente nisso! O mundo destroçado pela guerra se torna totalmente bagunçado, incrivelmente diferente do que temos hoje. Vemos os romanos falando em alemão, o japonês como língua esquecida (que deve ter pegado em cheio o público alvo; afinal, quem assiste anime é japonês), a França devastada (pra quem não sabe, a Helvetia é a Suíça, e a Terra de Ninguém começa na França, como dá pra ver por mapas), oceanos sem vida, tecnologia que chamaríamos de futurista como relíquias de eras anteriores. A destruição de tudo que conhecemos se torna real. A ordem das coisas está diferente, como deve se esperar depois de um apocalipse. A obra passa a vívida sensação de que havia um mundo, que esse antigo mundo está em escombros, e desses escombros está surgindo um novo mundo. E mais do que os dois mundos, é esse processo de mudança, o meio-termo, o turning point, onde Sora no Woto se passa, e que é tão brilhantemente construído. O VÍDEO A SEGUIR TEM SPOILERS.

E voltando, é minha obrigação parabenizar a equipe responsável pela obra. Sora no Woto não escolhe um caminho fácil, não corta cantos, não deixa um ponto sem nó. Nota-se claramente que essa maravilhosa amálgama que é o universo de Sora no Woto foi muito bem pesquisada e pensada antes de ser colocada na tela. A cidade de Seize é inspirada na pequena e real cidade espanhola de Cuenca, e podemos sentir seu realismo apesar de nunca termos visitado Cuenca. A arquitetura, o clima, floras e relevos, tudo que compõe o lugar se torna vivo na nossa frente. O trabalho visual na obra é quase absurdo de tão bom; ao ver um petroleiro em um deserto e um arranha-céu em outro, ao ver um campo de neve com pegadas sumindo ao longe, ao ver Seize em toda sua ordinária beleza, eu não conseguia fechar a boca de espanto. Os quadros são tão expressivos, tão magníficos, que adicionam uma vida imensurável ao mundo de Sora no Woto.

Mas construir um mundo, por mais importante que seja, é apenas o primeiro passo. Afinal de contas, nem toda obra precisa disso; existem obras ambientadas em um mundo familiar, obras que não precisam construir um novo mundo. Porém, qualquer obra, construindo ou não mundo, precisa que seu mundo seja habitado. Sem habitantes dignos do nome, o melhor mundo já criado é uma casca vazia. Um mundo, pra ser comparável ao nosso, precisa ter vidas comparáveis às nossas. Precisa ter pessoas (ou seres de qualquer tipo, dependendo da série), com problemas reais, com qualidade em sua caracterização. Em suma, precisa ter vida no sentido mais literal da palavra.

Novamente, Sora no Woto não falha. Personagens periféricos, como Krauss, Yumina, Seiya, Mishio, Madame Jaquette, Ilya Arkadia e Aisha Aidola, são todos muito bem construídos. Cada um, no pouco tempo que tem, deixa sua marca no espectador e na história. São únicos. Um elenco secundário rico, que contribui para a riqueza do anime. É impossível falar de personagens sem spoilers, então falo um pouco mais depois.

Mas mesmo esse excelente elenco secundário fica menor se comparado ao elenco principal. As cinco mulheres da 1121ª Fortaleza. As cinco Donzelas do Fogo. Kanata, Kureha, Noel, Rio e Filicia formam um dos grupos de personagens principais mais excelentes que já tive o prazer de conhecer. Explicarei o porquê na parte com spoilers.

Com um excelente mundo e excelentes personagens, partimos para o terceiro e último ponto necessário. A obra precisa ter tema, precisa ter objetivo (não confunda com o que eu atribuí a sutileza. Se está confundindo, volte pro começo e releia aquele trecho). Precisa ter uma noção que a motive, uma idéia que esteja por trás de tudo. Talvez não exatamente uma mensagem, mas uma visão de mundo, de vida. A obra precisa contar algo que não é mensurável em personagens, em ambientação ou em qualquer outro aspecto, apesar das melhores obras usarem tudo isso para contribuir para seu tema. Os melhores autores precisam ter uma resposta para as perguntas “O que eu estou querendo contar aqui? Qual o tema que vou abordar? Qual a ideia, qual a visão de mundo, que eu estou colocando nessa obra?” Respostas realmente bem-trabalhadas para essas perguntas compensam grandes falhas em mundo e personagens, enquanto uma obra com bons personagens e um bom mundo, porém sem tema, talvez seja tão vazia quanto uma obra que falha em todos os pontos. As obras-primas tendem a ser excelentes nos três. E eu consigo dizer isso sem medo, e digo; Sora no Woto é uma obra-prima.

SPOILERS PESADOS ATÉ O “FIM DOS SPOILERS”

O tema de Sora no Woto é “seguir em frente”. É, eu sei, é um tema batido. Mas depois de dez mil anos de história da civilização humana, que tema não é? Ser original, criar algo totalmente novo, beira o impossível. Todo mundo tem alguma influência de algo que veio antes, praticamente todo tema já foi comentado. O que vai definir qualidade na maioria das vezes não é a inovação, e sim como a obra trata o que quer tratar.

E Sora no Woto trata muito bem seu tema. Toda a estrutura da série gira em torno do tema de seguir em frente. A cidade de Seize, tão bela e pacata na superfície, possui, afinal, um posto militar (mesmo que esquecido) e fica na beira de uma Terra de Ninguém. Seu povo, tão sereno e alegre, perdeu amigos e parentes na guerra. O anime sempre nos lembra desse contraste entre paz e guerra, entre a destruição do passado e a tentativa de seguir em frente que vemos no presente. É esse passado marcado a fogo em Sora no Woto e em toda sua estrutura que deixa tão forte o tema de seguir em frente, que deixa claro tudo o que o mundo e o povo têm que superar. Um episódio muito marcante nesse sentido é o sexto, que fala muito de Mishio (garota que ficou órfã em Vingt, cidade destruída na guerra; aliás, Vingt é constantemente mencionada como um momento particularmente escroto da guerra, algo como a Hiroshima de Sora no Woto), muito sobre a guerra e ainda mais sobre o mundo. As curtas falas do padre no fim explicam o grosso do tema com imensa beleza, igualável apenas por exemplos futuros.

“People live on”

Só retornando ao mundo. Novamente, o trabalho visual da equipe merece destaque. O tema de seguir em frente não seria o que é se não fosse estabelecido o que exatamente se quer deixar para trás. E, em questão de mundo, o visual foi totalmente fundamental para isso. Quando a destruição precisava ser mostrada, ela foi mostrada, e com louvor. A tocante visão do deserto da Terra de Ninguém no fim do quinto episódio, o sétimo e os flashbacks de Filicia para a guerra, o desolado subterrâneo e o soldado morto de uma era passada, petroleiros presos no meio de um deserto perto de Roma, são todos momentos que precisavam ser mostrados como visualmente impactantes, precisavam mostrar o quanto o mundo sofreu com aquilo, e, com isso, preparar o terreno para o “seguir em frente”. Simbolizado por, entre outras coisas, as belezas de Seize, que não são apenas visuais, mas o visual representa uma grande parte.

E o povo também precisa seguir em frente, e aí entra o magnífico elenco de Sora no Woto. Cada personagem se relaciona de forma excelente com esse tema, por menor que seja tal personagem. Mishio e sua busca pelas presilhas de cabelo, o objeto que a ligava ao passado e que ajuda a definir seu presente. Seiya e seu amor por Kanata, que o afasta cada vez mais da mais notável conseqüência de seu passado, o ódio incondicional por soldados. Yumina, sempre ajudando os dois e o elenco principal a seguir em frente (o que ela própria está deixando pra trás só vai ser mostrado em um dos OVAs, que vale a pena, mas principalmente por motivos bem diferentes). Krauss e sua interessante relação com Kureha, onde a necessidade de fazer a garota seguindo em frente acaba forçando o próprio Krauss a seguir (o nono episódio é maravilhoso). Ilya Arkadia quase lembra uma tititeira (no bom sentido, se é que existe um), influenciando todos a seguir em frente (Kanata, Rio, Filicia; todas com Amazing Grace, que comentarei depois). Madame Jaquette, como o necessário exemplo de como alguém que não consegue seguir em frente se autodestrói (exemplo que obras menores ficariam com medo de ter), tem uma curta e impactante história (particularmente gosto muito do visual do anime nessa parte, no jogo de mãos resumindo o conhecimento dos dois e a rejuvenescida Jaquette correndo para seu amado). E Aisha Aidola. Ah, Aisha. Ainda vamos a ela.

E como eu já disse, o destaque ainda é o elenco principal. Tão belo e tão maravilhoso elenco principal. Kanata, Kureha, Noel, Rio, Filicia.

Sora no Woto tem uma abordagem extremamente interessante com certas personagens desse grupo principal. Particularmente, Kureha, Noel e Rio. O desenvolvimento dessas personagens é um dos melhores exemplos de “todas as peças se encaixando”. Explico: muitos dos episódios de Sora no Woto são centrados em uma ou outra personagem. Em obras mais comuns, esse tipo de estrutura seria usado concentrando episódios centrados em certa personagem em certo momento, para depois trabalhar a seguinte (e não me entendam mal, não há nada de errado com isso), distribuindo conteúdo quase que igualmente pela obra e trabalhando um passo de cada vez.

Sora no Woto trata a situação de forma diferente; o anime constrói todos os começos de arcos de personagens (grupo de episódios, no caso particular de anime, centrados em um personagem) no início (respectivamente, Kureha no 2, Rio no 3 e Noel no 4), para só finalizar tais arcos mais perto do fim do anime (Kureha no 9 e um pouco menos no 11-12, Rio no 10, Noel no 11-12). Enquanto isso pode não agradar o espectador ainda no começo da obra, que não sente uma resolução imediata das personagens, os benefícios mais do que justificam tal escolha. Dessa forma, é realmente notável a evolução de um grupo unido, e não de um conjunto de pessoas agrupadas. Todas as personagens se ajudam e crescem juntas, e a escolha do anime foi excelente nesse sentido. Além disso, as resoluções de arcos concentradas no fim criam uma reta final absolutamente gloriosa, carregada de força e relevância como poucas vezes vi antes. Cada cena perto do fim de Sora no Woto é um momento de imensurável valor.

Obviamente, você notou que eu excluí duas personagens dessa brincadeira, Kanata e Filicia. Bom, Filicia não entra nesse padrão porque, na verdade, ela já está seguindo em frente, desde muitos anos atrás. Os responsáveis por isso foram o morto “soldado desconhecido” e Ilya Arkadia, como fica claro no sétimo episódio (o único dedicado a Filicia, o que só reforça esse ponto). Filicia funciona principalmente como suporte para as outras, como apoio para que elas possam seguir em frente também. Também por isso ela é a principal figura de liderança do grupo, muito além da simples hierarquia militar.

E Kanata, porque, bom, Kanata é especial. A óbvia protagonista do anime, tendo um destaque maior do que qualquer uma das outras. Kanata não tem um desenvolvimento pautado em arcos como as outras, nem um desenvolvimento já concluído como Filicia. De certa forma, o anime inteiro é seu arco; ela tem um destaque em praticamente todos os episódios de Sora no Woto, inclusive nos arcos de outras personagens (talvez a única exceção seja o sétimo episódio, que é quase um alienígena em vários pontos).

Mas talvez a explicação mais próxima da realidade seja a seguinte: Kanata não tem arco de desenvolvimento por não ter um desenvolvimento, não no sentido que as outras têm. Ela não precisa aprender sobre a necessidade de seguir em frente, como seguir em frente, quem pode te ajudar a seguir em frente, tudo isso ela já captou de forma subconsciente. Kanata é como um mensageiro. Ela passa a idéia de seguir em frente apenas com sua presença, com sua atitude, com sua existência. Para os familiarizados com Aria, um exemplo claro: Kanata lembra muito Akari Mizunashi.

Isso não quer dizer que Kanata não sofra desenvolvimento. Ela sofre. Só que totalmente diferente de todos os outros. Ao longo da série, à medida que conhece o mundo e o povo, Kanata ganha apreço por tudo isso, começa a dar valor a tudo isso, e começa a querer o melhor para tudo e todos. Em Sora no Woto, o que o povo e o mundo precisam é seguir em frente; então, de forma principalmente subconsciente, o que se desenvolve em Kanata é o entendimento da importância de seguir em frente; não para ela, e sim para todos os outros. E, tão importante quanto, a capacidade de ser mensageira, a capacidade de transmitir para os outros a importância disso. E, finalmente, chegamos a um ponto relevante e extremamente interessante de Sora no Woto: a música.

É bom deixar claro que Sora no Woto não é uma obra “de música”, e sim uma obra “com música”. Para ficar em exemplos animangásticos, Beck seria uma obra “de música” (obra que gira em torno de música, se foca em música, tem ela como elemento fundamental), enquanto Solanin seria uma obra “com música” (obra que gira em torno de outra coisa e usa música como um adendo, uma boa forma de falar o que quer falar; a música tem um papel secundário, poderia ser substituída por outra coisa).

Acho que precisa ser surdo pra não notar que música funciona que é uma beleza em uma obra sobre seguir em frente. Não creio que qualquer ser humano não-surdo nunca tenha ouvido uma música que pelo menos tentava ser motivadora. Uma música que tentava tocar a alma do ouvinte e tentava fazê-lo seguir em frente. Música, afinal, é uma das artes mais universais que existem, e muitas músicas tentam ser universais. Menos, mas ainda assim muitas, conseguem. Algumas conseguem no tema da motivação.

Amazing Grace, pelo menos na versão Sora no Woto, é uma delas. Aliás, Amazing Grace, no mundo de Sora no Woto, é a máxima representação dessa idéia e desse tipo de música. É uma música definitivamente universal (a breve cena em que Aisha pega emprestado o trompete de Kanata para tocar a música diz tudo, e é essencial para o clímax da obra). Em cada cena em que ela soa pelo céu, ela é o destaque, em cada nota, representando plenamente tudo sobre o que Sora no Woto mais fala.

E ainda assim, quando Amazing Grace toca, toda essa racionalidade some. A beleza da música (Sora no Woto tem uma das melhores trilhas sonoras que conheço) e a beleza dos visuais, unidas, criam uma das sensações mais poderosas que já foi passada por um anime. Cada cena com Amazing Grace, seja com o trompete solitário, com o Takemizuchi, com o trompete reunido com a corneta ou com a corneta solitária, é uma vassoura limpando a minha mente, me desprovendo de razão e de qualquer elemento crítico, me levando para um mundo onde só a magnífica mistura de sentidos importa.

Eu falei de riqueza de mundo, mas só na parte sem spoilers. Vamos voltar a isso agora, existe uma consequência relevante a essa questão.

O mundo de Sora no Woto é incrivelmente variado e bem pensado, cheio de pequenos detalhes que criam toda a ambientação da obra. A lenda das Donzelas de Fogo, o fóssil gigante sem cabeça no fundo do rio, as relíquias militares das eras antigas, aquele sistema de segurança baseado em caracteres japoneses (pra quem não lembra, quinto episódio), a Terra de Ninguém, figuras como o Demônio de Vingt, a Bruxa de Helvetia e a Princesa Ilya, a guerra em geral. Tanta coisa. Um mundo que tem história, que tem lendas, que tem passado, é meio caminho andado para um mundo digno do nome.

Mas isso gera uma consequência interessante. Quem assiste um mundo rico exige que o mundo rico seja explicado, explorado. O que é aquele fóssil no fundo do rio? Era um anjo, um demônio, uma tecnologia antiga? O que causou o esquecimento do japonês? Como a França virou Terra de Ninguém? Que tipo de pesquisa o Demônio de Vingt e pela Bruxa de Helvetia conduziram? Como era a vida da Ilya, entre princesa e parte do exército? Como ocorreu o apocalipse? Perguntas, perguntas, perguntas. Muitas vezes, esse tipo de pergunta não é respondido. Em algumas dessas vezes, elas resultam em spin-offs. Em muitas dessas vezes, elas resultam em plot holes. Na imensa maioria dessas vezes, elas resultam em um sentimento de insatisfação da parte do espectador.

Sora no Woto não é nenhum desses casos (apesar de que um spin-off da série seria maravilhoso). É um anime cheio de perguntas sobre seu mundo, porém sem muitas respostas. Ainda mais do que isso, é um anime que não se propõe a dar as respostas. E, o que é ainda mais importante, é um anime onde as respostas não são necessárias. Por mais fascinante que seja seu mundo, Sora no Woto é uma obra sobre um tema. Se focar nesses aspectos do mundo, nessas perguntas, desvirtuaria a obra de seu tema. E assim, Sora no Woto fez a escolha certa na reta final. Ah, a reta final.

Essa parte do anime (décimo primeiro e décimo segundo episódios, para ficar claro) tem um interessantíssimo aspecto; o de cortina de fumaça. A cena em que algo imenso que aparenta ter cabeça faz sombra perto da cidade, a busca de Aisha pelo fóssil de anjo, a pesquisa conduzida por Noel e Hopkins, tudo isso é plenamente para despistar o espectador, fazer ele esperar por essa direção. A questão nem é mais o princípio da sutileza, que o anime começou a deixar de lado com o episódio 7, e se torna quase que inexistente do 9 para a frente. O objetivo agora é pegar o espectador de surpresa no momento crítico. Nesse episódio, o anime estabelece tantas dúvidas, tantas perguntas, tantas possibilidades, que o espectador fica sem acreditar que ele vai dar uma resolução digna a si mesmo. Aparentemente, não há como responder tudo. E de fato não havia.

Os verdadeiros méritos do décimo primeiro episódio são muito mais simples: a chegada de Aisha e do Coronel Hopkins. A garota romana e o Demônio de Vingt são dois dos personagens mais importantes de toda a obra. Não por seu papel ou interesse no mundo do passado, e sim por causa de agora. Por causa do turning point que é toda a obra. Mas talvez o maior mérito desse episódio seja preparar o último, então vamos a ele. O décimo segundo episódio de Sora no Woto. O melhor episódio de anime que conheço.

Começamos com Aisha baleada, Noel totalmente aterrorizada, Kureha bancando a certinha insensível, Hopkins tocando o terror em tudo e os exércitos se aproximando uns dos outros. A situação não poderia estar mais desesperadora. Ou poderia? Hopkins é tomado como refém, mas pouca coisa muda. Ele desestabiliza Noel até o desespero, acaba preso na destilaria, consegue fugir do bastião numa falha de segurança, e parte para começar a guerra por conta própria. Um dos momentos mais importantes de Hopkins é quando ele diz a seguinte frase: “War drives forwards civilization and science”

É uma lógica inegável, provada pela história. Com essa frase, mesmo que a as personagens não a escutem, a situação se torna claramente desesperadora também ideologicamente. Nesse tipo de situação, a pergunta que não quer calar é “como tudo isso vai ser resolvido?”

Começa com a frase de Kanata, que é a perfeita resposta ao Demônio de Vingt: “It’s been said that the world is ending. But I like this world”. Continua com Aisha e seu “I… you… the same”, com o “You have suffered enough. That’s why I forgive you, even if no one else will forgive you”. Com o total colapso de Kureha. E com a reunião de todas no Takemikazuchi, a destruição da barreira, a revolta do povo de Seize, a entrada da linda “Servante Du Feu”, da narração de Yumina sobre a lenda das Donzelas do Fogo, e quando fica claro o verdadeiro significado da lenda, a maior das cenas começa.

De certa forma, todo o arco final é construído para essa cena. Aisha tocando Amazing Grace no trompete de Kanata e Rio no episódio anterior mostra que os mesmos sons ressoam em Helvetia e em Roma. A resposta de Kanata a Hopkins mostra que desenvolver a civilização e a ciência é inútil sem que o povo e o mundo possam seguir em frente. O “I… you… the same” de Aisha mostra não só Aisha e Noel, não só Roma e Helvetia; as pessoas, os povos e os mundos, no fim, são muito similares. O colapso de Kureha mostra que até os que aparentam resistentes e insensíveis muitas vezes têm fraquezas e dores que estão escondendo. Todos os momentos são feitos com essa cena em mente.

De certa forma, todo o anime é construído para essa cena. A lenda das Donzelas do Fogo, que motiva a própria existência da 1121ª Fortaleza, e representa todo o elenco principal, está no seu ápice nesse ponto. O campo de batalha final é a maior reunião de pessoas que Sora no Woto registra, no maior ambiente que a série apresenta. Com os helvetianos e os romanos reunidos em tão larga escala, toda a questão de mundo e de povo da obra culmina nessa única cena.

E nada culmina tanto nesse momento quanto Sorami Kanata. A garota que quer tocar música, inconscientemente, por querer ajudar os outros a seguirem em frente, jamais terá uma missão maior do que essa. A garota inocente e de coração puro é a primeira a notar a mais simples e mais poderosa das verdades: a de que ela ama esse mundo.

Kanata não é um Messias. Ela não convence a humanidade a seguir o sonho que ela tem. Kanata é uma mensageira. Das pessoas para o mundo, do mundo para as pessoas, das pessoas para as outras pessoas, e principalmente, das pessoas para elas mesmas. Kanata não está impondo nada, não está convertendo ninguém. Ela simplesmente é a primeira a notar o que todos sentem, e, por isso, a única capaz de explicar isso a todos.

A humanidade precisava se conhecer. A humanidade precisava se perdoar. A humanidade precisava entender, como Kanata entendeu, que todos amam aquele mundo. Sora no Woto é uma história sobre seguir em frente, e não há como seguir em frente sem perdão. Perdão cedido pelos outros, perdão cedido por si mesmo.

“You have suffered enough”

As palavras de Aisha, apesar de serem dirigidas a Noel, falam do mundo inteiro. Noel é a personagem que mais tem dificuldade de se perdoar. A pressão que seus erros exercem nelas é a maior em toda a obra. E é a primeira a ser perdoada, por Aisha. E é a primeira a se perdoar, graças a Aisha. Noel tem o único fardo comparável ao do mundo inteiro, e por isso esse momento é dela: nessa cena, ela é o mundo inteiro.

Mas a maior das cenas é de Sorami Kanata, e fala diretamente com o mundo inteiro. O Takemikazuchi escala um prédio destroçado. A escotilha se abre. Kanata sai. Amazing Grace começa, e eu paro de falar. Nada mais precisa ser dito. O som sempre ecoa.

FIM DOS SPOILERS

Por fim, sou forçado a voltar para a discussão do começo do post, para fazer um esclarecimento; eu não faço parte do mundo perfeito que citei. Longe disso. Um erro que cometi com Sora no Woto, pelo menos em seu início, foi esperar dele algo que não fosse “mais do mesmo”. Na sua maior parte, de fato, o anime não era. Mas em certa parte, era similar a obras que eu já conhecia. Se eu esperasse de Sora no Woto pura e simplesmente que ele fosse bom, não ficaria nem levemente decepcionado (como fiquei) com episódios que pareciam “mais do mesmo”, e aproveitaria plenamente tudo desde o começo (aliás, rever Sora no Woto será bem interessante. Algum dia).

Mas acho que aproveitei o suficiente. Sora no Woto me deu uma baita experiência. Assim que acabei de assistir, não tinha ideia de como explicar porque tinha gostado tanto. Escrevendo esse post, as palavras começaram a sair, e me peguei, do nada, explicando os pontos necessários para fazer uma obra de qualidade (pelo menos, os que eu acredito que são necessários). Talvez esse seja um dos grandes méritos de Sora no Woto: é quase uma aula de como fazer as coisas de forma certa.

Esse anime tem outra grande característica de obras que querem vender: “atirar pra todos os lados”, querer ter um pouco de tudo. Porém, o fascinante disso é que ele acerta em todos os tiros. Se você quer criar um mundo, assistir Sora no Woto pode lhe ajudar. Se você quer criar personagens, assistir Sora no Woto pode lhe ajudar. Com andamento de enredo, visuais, trilhas sonoras, Sora no Woto pode lhe ajudar. Se você quer criar um tema, nada pode lhe ajudar além de você mesmo. Mas Sora no Woto pode lhe mostrar um, e você pode aceitá-lo, apreciá-lo e talvez adotá-lo.

Outra qualidade. Minha apreciação do anime talvez não se tornasse menor sem o maravilhoso exercício que foi escrever esse texto (como muitas vezes acontecesse com outras obras. Escrever é um negócio maravilhoso, recomendo). Ao acabar o último episódio de Sora no Woto, mesmo que nem todas as peças se encaixassem na minha cabeça, mesmo que alguma coisa não estivesse clara, o sentimento de apreciação era tão poderoso quanto é agora, quando muito mais faz sentido. Sora no Woto também funciona como uma obra onde você simplesmente senta, assiste e se maravilha.

E eu me maravilhei, como poucas vezes antes. Ah, o anime tem defeitos, claro, mas não é o meu papel citá-los, não vale a pena ficar reclamando por causa deles. As qualidades, as imensas qualidades que a obra tem em todos os aspectos, me atingiram com muita força. Se Sora no Woto tem poucos defeitos, muitos defeitos ou defeito nenhum, nada muda. Fazendo uma breve analogia matemática: se retirarmos um de infinito, temos infinito. Se retirarmos dez, cem, mil ou até bilhões, o infinito continua intocado.

Ou talvez eu apenas seja incapaz de criticar Sora no Woto. Até ouço críticas a essa obra, mas provavelmente nunca as aceitarei. Minha resposta a elas é mais ou menos o equivalente internético de tapar os ouvidos e gritar “LALALALALALA NÃO ESTOU OUVINDO”. Talvez eu apenas ame Sora no Woto de forma plena e irracional.

Talvez esse seja o maior elogio que uma obra pode receber.

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Sobre rauzi

Escrevendo para me lembrar que era verdade.
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7 respostas para Sora no Woto

  1. bakamaster disse:

    Sério… que post gigantesco, não e atôa que o posterguei tanto. Pessoalmente me sinto esgostado pela leitura, não que não esteja acostumado com textos de tamanho folego, no meu caso são o comum, apenas que vc coloca muitas coisas o que pensar.
    Suas longas digressões realmente são de grande valia, apesar de para mim soarem desnecessárias, mas penso que podem ter sido uteis para outrem.
    Em relação ao anime em si, não o assisti a época, mas pretendo fazê-lo, não acho que mesmo com os muito spoilers recebidos minha experiência será diferente, na verdade espero agora perceber muito mais do que veria sem a sua ajuda.
    Obrigado pela experiência e continue com os bons textos.

    • rauzi disse:

      Ah, nesse texto eu me empolguei DEMAIS ao falar de SnW e ao mesmo tempo descarreguei certo ódio que já estava me matando (as digressões surgiram por isso: acho que eram meio desnecessárias mesmo, em termos de falar do anime, mas não me contive). Foi uma combinação de fatores meio única, não deve sair algo tão grande tão cedo. E sou da espécie que não suporta ver um spoiler pela frente, então não consigo afastar da cabeça que você não fez a melhor das decisões. Mas te entendo. E pode assistir o anime sem medo, é um dos melhores que já vi.

      E, poxa, muito obrigado pelos elogios. Continuarei sim, por favor continue lendo. Até!

  2. Daisuke~ disse:

    Assisti Sora no Woto logo que ele foi lançado. Lembro que a obra nem estava na minha lista para a temporada, mas como foi um dos primeiros animes a estreiar, e eu não tinha nada pra fazer, dei uma chance. Logo de primeira, fui completamente capturado pela atmosfera da obra. Ela te passa aquela sensação de calmaria, com uma melancolia sutil, coisa que poucas obras -e apenas as boas, como The Music of Marie, meu mangá favorito- conseguem fazer. As personagens eram cativantes, tudo era lindo nessa obra.
    Lembro que, no começo, esperava que fosse só um anime com garotinhas fofas, uma atmosfera agradável e uma trilha sonora espetacular. Levei um belo soco na barriga. Que nada! Desde o começo aquela atmosfera melancólica me intrigava “será que essa calmaria logo vai passar? Será que tudo vai andar?”, mas não, não passou. Não passou, mas tudo andou! Sora no Woto conseguiu desenvolver magistralmente toda a sua história e seus dramas numa atmosfera extremamente calma, e isso é incrível!
    Confesso que assisti o anime há muito tempo, e me esqueci de muita coisa, mas seu texto- excelente, diga-se de passagem- me ajudou a relembrar muita coisa e, principalmente, me fez reparar coisas das quais eu não me lembro de ter captado ao assistir. Acho que eu preciso rever a obra.
    Aliás, que texto maravilhoso, cara! Tudo bem que ele ficou bem grande, mas valeu a pena ter lido cada palavra! E esse final, “Talvez eu apenas ame Sora no Woto de forma plena e irracional. Talvez esse seja o maior elogio que uma obra pode receber.” me fez pensar em muitas obras que eu realmente admiro. Confesso que, desde que adentrei esta blogosfera, não me lembro de ter lido um texto tão detalhado, e ao mesmo tempo interessante, quanto este. Pode ter certeza que ganhou um leitor. Parabéns!

    • rauzi disse:

      Ah, cara, seu comentário me fez abrir um baita sorriso. Tirando um sentimento quase de catarse, meus maiores motivos pra escrever são esses: motivar alguém a ler/ver algo que eu goste muito e trazer uma perspectiva nova a algo que já leram ou viram. Você me diz que esse texto fez exatamente isso, então acho que estou no caminho certo. Muito obrigado.

  3. Thalos disse:

    Achei que fosse o único que deu um grande destaque para este anime, mas finalmente encontrei outra pessoa com as mesmas opiniões.Também considero um dos melhores animes que já assisti, talvez por ainda não ter sido maculado pelo critério de vendas hehe, até porque vários dos meus preferidos são considerados medíocres.

    Mas tirando o fato do critério de vendas, creio que a sutileza seja o grande fator pela qual esta série étão boa e ao mesmo tão pouco valorizada, afinal li muitas críticas que revelavam que a pessoa não foi capaz de entender a obra e por isso seu público acaba sendo limitado…

    Um dos maiores problemas, na minha opinião, é o número de episódios. Acredito que esta série tem o potencial para ter mais continuações, pois eles criaram seu próprio mundo. Ao invés de ter um objetivo direito como “quero derrotar o mal”, o que acaba definindo a existência de um ponto final, esta não se prende a isto. E muito do pouco desenvolvimento seria plenamente corrigido com uma continuação. Pena…

    • rauzi disse:

      Conheço esse sentimento, é muito raro encontrar um fã de SnW. Pessoalmente, não levo nem um pouco a sério o critério de vendas, tanto que foi a primeira coisa que fiz questão de destroçar no post.

      Sobre o número de episódios, sem dúvida poderia ter uma continuação. Um dos pontos mais positivos da obra é o belíssimo mundo, que poderia, sim, ser mais trabalhado. Talvez com uma segunda temporada focada nas “aventuras de balão” do OVA… Mas foi o suficiente. Na minha opinião, seria um ótimo adicional, mas não necessário. Do jeito que está, está excelente.

  4. Pingback: Slice of Links « Omnia Undique

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