Crunchyroll aterrissa em terras tupiniquins

Algumas considerações importantes sobre a provável última chance de um mercado brasileiro de animes, suas consequências e sobre o serviço prestado.

Finalmente, o Crunchyroll [serviço de exibição em streaming de animes e doramas] chega ao Brasil. De acordo com o CEO, Kun Gao, o objetivo é explorar o enorme público, algo que não tem sido feito desde a derrocada do Animax – acredito que ninguém continua sonhando com a promessa de streaming da Sony –, e parece estar preparado. A assinatura custa R$9,90 e o catálogo de animes também não deixa a desejar.

Como grande parte do público ainda parece estar receoso quanto à qualidade, a Crunchyroll permitiu que o serviço pago pudesse ser utilizado por 14 dias de graça. Mesmo que você não tenha intenção de assinar após testar, ainda é possível assistir seus animes grátis e legalmente, com alguns contras, como ter que aguardar alguns dias e propagandas. O preço do serviço é completamente acessível, então não há desculpas para não assinar e você verá aquele seu anime favorito poucos minutos após ele ser transmitido no Japão.  Sobre o pagamento por boleto, é algo burocrático, caro e complicado. Logo, só deverá ser implantado a longo prazo.

Além disso, temos uma lista bem diversificada. Para o público normalfag, temos animes como Naruto Shippuuden, Bleach, Fairy Tail. Temos também romances como Sukitte Ii na yo [Diga “Eu te amo”] e Tonari no Kaibutsu-kun [Meu monstrinho]. Animes completamente voltados ao público otaku, como YuriYuri e Total Eclipse e ainda alguns agradam ambos, como Uchuu Kyoudai [Irmãos do espaço] e Sword Art Online. Antes que venham reclamar,  as adaptações dos títulos são necessárias. Eu, e acredito que vocês também [leitores de blogs de animes e mangás], gostamos mais dos originais, mas devo lembrá-los que o projeto visa atingir um público bem mais abrangente.

Novamente, gostaria de ressaltar o quão importante é a empreitada desse grupo no Brasil. Como dito anteriormente, a televisão não tem objetivo algum de investir em animes, com exceção de alguns que já são sucessos absolutos em nosso país, como Cavaleiros do Zodíaco e Pokémon. Para muitos, o mercado já estava morto e enterrado até a Crunchyroll se pronunciar ano passado. Após bastante tempo, aqui estamos, e finalmente esta inicia suas atividades e está se esforçando para fazer um bom trabalho.

Agora, vamos ver o outro lado da moeda. Antes de vir escrever esse texto, fui assistir alguns episódios de animes no site [mais especificamente, Sukitte Ii na yo e Tonari no Kaibutsu-kun], e tenho algumas críticas a fazer. Primeiramente, achei as legendas muito ‘mecânicas’, vou explicar. Muitos dos diálogos estavam formais demais, não acho pareciam… diálogos. Até mesmo as piadas perdiam a graça. Também senti falta de uma diálogo cortado no início do primeiro episódio de Sukitte, mesmo que seja possível entender a cena sem ele, ela fica bem mais coerente com este.

Para um projeto desse porte dar certo, é necessário agradar o maior público possível. Eu, como parte desse público, consigo assistir animes com títulos adaptados e sem os honoríficos, mas adaptações que modifiquem bastante a obra para atingir o consumidor comum do público brasileiro é inaceitável. Cenas como esta acima repelem muita gente para os fansubs. Não cometam o mesmo erro que a JBC cometeu com seus mangás.

Por fim, gostaria de dizer que sinto falta de aberturas e encerramentos legendados. Sim, na esmagadora maioria das vezes, você só entende todas aquelas cenas se tiver a legenda. Como exemplo, fica uma screen da END de Fate/Zero, que, sem dúvida nenhuma, não teria o mesmo impacto se não estivesse legendada. Aliás, ótima END.

Critiquei, falei todas as minhas impressões sobre o trabalho, mas não se enganem. A legenda da Crunchyroll é bem melhor que a de muitos fansubs por aí [inclusive, aquele que cortou projetos que a Crunchyroll fará e muitos otakinhos ‘protestaram’, ou melhor, alegraram meu final de semana pós-ENEM]. Porém, como serviço profissional e legal, em que muitos vão pagar [consumidores, bem diferente da relação com os fansubs], acredito que deverão buscar a melhor qualidade possível.

Agora, darei meu parecer pessoal. Não gosto assistir animes online, muito pelo contrário, adoro tê-los organizados em uma pasta sabendo que poderei ter acesso a eles quando bem entender. Muitos fansubs fazem um trabalho que me agrada bem mais. No entanto, darei um voto de confiança ao Crunchyroll. Assinarei pelo serviço de simulcast [exibição logo após ser transmitido no Japão], por pagar um por um serviço em que parte dos lucros vão para seus produtores e, principalmente, pela esperança da criação de um mercado no Brasil. Muito difícil, isso é algo que qualquer um sabe, mas acho que vocês deveriam fazer o mesmo. O primeiro passo tem que ser dado.

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Sobre Hegff

Apenas mais um perdido neste mundo.
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4 respostas para Crunchyroll aterrissa em terras tupiniquins

  1. Ever disse:

    A ideia da Crunchyroll é boa. Todos podem assistir grátis episódios com mais de uma semana, ou pagar uma pequena taxa e ter um simulcast. A qualidade de imagem é excelente e o servidor de streaming parece ser bom tbm. E claro, é uma coisa licenciada e oficial, apoiando os produtores.

    Quando a legenda, tem vários pontos a se criticar, como por exemplo, eles traduzirem nomes de golpes e outros termos, não sei porque essas coisas oficiais gostam tanto de fazer isso. Em Bleach, Shinigami sempre aparece Deus da Morte na legenda (jurava que viria Ceifador de Grim Reaper), tava até achando que chamariam Zampakutou de Espada cortadora de almas. Em Naruto, esqueça Katon: Goukakyuu no Jutsu, lá é Estilo Fogo: Jutsu Bola de Fogo. Tudo é traduzido, a não ser coisa muito especifica.

    O jeito da legenda tbm, grande e “estranha”, poderia ter uma opção de personalização. Claro, teria que saber como é feita a legenda para os videos.

    Sobre as aberturas e endings, eu li que para fazer a tradução, eles teriam que pagar pela licença da música. É mole?

  2. Hegff disse:

    Sobre os golpes e habilidades serem traduzidos, é algo que eles realmente devem fazer por visar o maior número de consumidores possível, e entre esses, pessoas que não tem interesse no nome original com uma pequena nota na tela. Mesmo assim, às vezes passam do limite, como na própria tradução de Shinigami em Bleach, perdendo um público precioso [erro que a JBC cometeu traduzindo esse mesmo termo em Soul Eater para ‘Doutor Morte’, fazendo muitos desistirem de comprar o mangá], .

    A legenda ‘formal’ foi duramente criticada e deve ser revista no futuro, assim espero. Sobre o que você leu em relação às aberturas e encerramentos, é verdade. No entanto, é necessário investir em algo indispensável para o anime. Em Fairy Tail, por exemplo, alguns episódios no CR americano tem OP e END legendados, então não é algo impossível. Extremamente difícil, com certeza, mas devemos criticar por ser algo importante no anime.

  3. Gorgoroth disse:

    Bom post, Hegff. Eu apoio a iniciativa do Crunchyroll, é sempre bom ter algo oficial para dar dinheiro, já que não custa nada mostrar como você apoia um pouco. Como você vi muitos posts contra o serviço, alegando o fato de eles terem “abrasileirado ” alguns termos e flammearam muito por aí acerca da falta do honorífico. Particularmente ri de alguns posts, reclamando de um serviço que ainda está engatinhando em terras tupiniquins e que pode ser mais eficiente que vários fansubs, partindo da suposição que a iniciativa privada supera a pública, já que por receberem dinheiro sobre isso, terão de fazer um serviço de qualidade.

    É desnecessário dizer que isso não vai causar uma nova crise otaku ou algo do gênero. Como você disse no post, não é nada oficial, mas creio que a concorrência poderá acentuar a concorrência e aumentar o esforço de alguns fansubs para com a qualidade do serviço, seguindo a lógica capitalista da coisa.

    Também gostei da iniciativa de eles terem começado a traduzir Gintama, que todo conhece a manjadíssima história do esforço hercúleo que é traduzir o anime e o mangá, pelo fato de que muito é perdido ou ignorado na tradução pelo fato do Sorachi,brincar muito com o léxico japonês e utilizar de um vocabulário “popular”. Se eles conseguirem se manter bem nessa tarefa( já que li que eles traduzem diretamente do japonês), ganharão minha sincera admiração. E é uma pena eles terem tirado os honoríficos e terem traduzido o nome de alguns golpes. Os -sama, -kun, -san, -chan e etc; ajudam a entender algumas particularidades da cultura japonesa e golpes igualmente, já que muitos são gag’s linguísticos, o que acaba com a “magia” de alguns deles. É só pegar o exemplo(partindo de uma corrente mais mainstream) dos golpes mostrados de cada grupo no Bleach, onde cada um tem uma característica linguística diferente, o que leva o leitor a refletir sobre alguns particularidades do autor. Quanto ao nome dos animes, nada digno de revolta, somente gostaria se eles colocassem o nome original junto com o nome traduzido(Como em Hayate no Gotoku, teriam de colocar O Mordomo de Combate), creio que agradaria ambas as opiniões.

    Eu pessoalmente gosto da iniciativa de eles traduzirem alguns animes para o público mais “otaku”, a lista dele agrada maiorias e minorias. E também pretendo assinar num futuro não tão distante, sendo o preço bem acessível para um pública que tem em sua maioria, jovens. Confirma o boato de que eles estarem apenas aceitando apenas cartão de crédito, não é?

    E desculpe pelo post incrivelmente grande e pelo choro pelas línguas, hahaha.

  4. Hegff disse:

    Particularmente, acredito a lógica capitalista vai funcionar, mas olhando o outro lado da moeda. Muitos fansubs tem tradução superior a do Crunchyroll atualmente e aqueles mimos para com o consumidor. Sendo o CR um serviço pago, ele que deve melhorar a qualidade do serviço futuramente.

    Alguns traduzem diretamente do japonês, outros do inglês. Sobre honoríficos e traduções, é algo que falei no post, na resposta ao Ever e falarei novamente. Eles tem que se adequar aos clientes. A maior parte do público que irá consumir esse produto não gostará de seu anime ter diversos termos japoneses com algumas observações nos cantos da tela. Porém, se exagerarem [cenas como a do primeiro episódio de Sukitte Ii na yo forem constantes], vai ter muita gente do nicho desistindo do serviço. É aquela coisa, agradar gregos e troianos. Se você analisar bem, os honoríficos podem fazer falta a alguns, mas o estrago é bem maior não retirando-os para o público casual, que não possui interesse algum em saber seus significados. Colocando na balança, a decisão fica bem óbvia. Da mesma forma, acontece com os títulos dos animes. Concordo com você sobre os títulos, mas acho algo pouco provável de acontecer, talvez até pela estética mesmo.

    Sim, no momento, somente cartão de crédito. Se o serviço vingar, devemos esperar a chegada do boleto daqui a algum tempo.

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