Review – Natsuyuki Rendezvous

Porque o mundo seria um lugar melhor se Rendezvous tivesse somente oito episódios e seu antecessor, Apollon, quinze.

Natsuyuki Rendezvous, baseado no mangá de Haruka Kawachi, é um anime que foi exibido no conhecidíssimo bloco noitaminA [TV Fuji]. A obra original foi concluída neste ano, contando com quatro volumes. Portanto, o anime – que teve 11 episódios – não precisará correr contra o tempo. Era o que eu pensava, e estava certo. Mas, mas, mas… Infelizmente, aconteceu exatamente o inverso: o ritmo foi lento até demais e isso pesou – porém, não foi o suficiente para ser a decepção que alguns comentam com tanta convicção. Muito pelo contrário, se colocarmos na balança, diria que foi um bom anime. Quer saber por quê? Então, vamos lá.

Ryuusuke Hazuki, um jovem que não parece ter nenhuma ambição ou sentido para viver, se apaixona perdidamente pela dona de uma floricultura, Shimao Rokka. Após conseguir um trabalho nessa floricultura e alguns meses passarem, é surpreendido pelo fantasma do ex-marido da sua amada, Atsushi Shimao, e ainda descobre que é o único que consegue vê-lo.

Sem dúvida alguma, o melhor desse anime são os dilemas dos personagens e a carga dramática que estes acarretam. Tanto o Ryuusuke quanto o Shimao querem a felicidade da Rokka, mas eles também a desejam ao seu lado. Ficam confusos, sofrem ao pensar que não a terão em seus braços, seja por um está morto e não ter a capacidade de fazer basicamente nada além de observar ou por ela ainda não estar preparada para um novo relacionamento, por não ter superado a perda do marido e ainda acreditando que está vivendo um romance unilateral.

O lado do Shimao é bem interessante. Sempre teve uma saúde debilitada, passou grande parte da sua vida sendo tratado em hospitais, tendo como único hobby as flores que tanto gostava, seja cuidando ou desenhando-as. Provavelmente, foi isso que acarretou no amor dependente que sentia pela Rokka. Após saber que iria morrer, tentou cortar seus laços com ela, para que esta pudesse seguir sua vida feliz . No entanto, as palavras dela que ecoaram em seu leito de morte foram fortes o suficiente para que este continuasse ao seu lado, mesmo morto. Por três longos anos, sem ter nenhum contato com qualquer outra pessoa, Atsushi passa dia e noite observando sua mulher trabalhar na floricultura, agarrado a um pedido egoísta. Porém, após vê-la com outro rapaz, ele perde o motivo de continuar ali, além de sofrer ao ver outro cara conquistando-a pouco a pouco.  A obra realmente tenta tocar o espectador com o desenvolvimento desse personagem. No meu caso, conseguiu.

Já o Ryuusuke, ama a Rokka cegamente e também faria qualquer coisa por ela. Tenta conquistá-la de todas as formas que consegue imaginar, mas não conseguiu vencer as antigas memórias, que ainda eram muito fortes para ela. Após isso ser jogado em sua cara, ele decide emprestar seu corpo ao fantasma, e foi necessário beber pra ter coragem. Para mim, foi uma das cenas mais incríveis do anime.  Não sabia se teria seu corpo tomado para sempre ou até que ela conseguisse superar esse fato, somente queria que ela sorrisse daquela forma outra vez.

A Rokka, em um primeiro momento, parece ser uma mulher forte e que conseguia seguir sua vida, mesmo ainda sofrendo com a perda de seu marido. No entanto, é exposto no decorrer do anime que é exatamente o contrário, a vida não parecia fazer mais sentido. Ela sofria vivendo, em um estado de inércia. Mesmo após conhecer o Hazuki e até mesmo se apaixonar por ele, não conseguia revelar seus verdadeiros sentimentos, não conseguia permitir a si mesma tentar ser feliz.

Preso no caderno de desenhos do Shimao, Hazuki imerge em um mundo cheio de simbolismos, onde temos referências a diversas obras infantis conhecidas, como Branca de Neve e Ariel. Aquele momento serve como um amadurecimento para o personagem, que quase deixava os outros escolherem o seu futuro. Agora, foi lutar pelos seus objetivos, ou melhor, pela Rokka.

Enquanto ficava no lugar do Hazuki, Shimao não conseguia agir normalmente enquanto Rokka pensava que ele era outra pessoa, ou pior, seu concorrente.  Levantando como pretexto ‘acabar com a aparência jovial do Hazuki’, ele corta o cabelo, veste-se de outra forma, passa a usar óculos. Tudo isso para tentar não se ver naquele rapaz,  para a Rokka notar que era ele. Mas as mãos acariciavam o Hazuki, assim como a nossa protagonista acreditava que tinha feito sexo com este, todos aqueles sentimentos eram destinados ao Hazuki, não ao Shimao. Seu orgulho, infantilidade e egoísmo não permitiam que a Rokka tivesse um outro alguém.

Pessoalmente, eu gostei do fim do anime [tirando o timeskip, no qual o Shimao parecia deslocado e que poderia ser bem melhor], quando todas aquelas tensões acarretaram em um clímax bem interessante. A Rokka decidiu se matar porquê, mesmo amando o Hazuki, se sentia obrigada a ir com o Shimao, por tudo que eles já tinham passado, por todo o amor que ela sentiu por ele – vale ressaltar, bem maior que pelo Hazuki, afinal, eles passaram bem mais tempo juntos e enfrentaram situações complicadas. Nesse momento, o Shimao finalmente se tocou que mesmo que ela tenha amado-o, uma parte dela, repreendida, queria continuar viva e ficar com o Hazuki [ela mesmo já havia falado que estava apaixonada por ele], acabando o anime com aquela mensagem que devemos continuar nossa vida mesmo após a morte de alguém importante, não da maneira que a Rokka estava antes de conhecer o Hazuki, naquele período em que nada parecia ser divertido, nada parecia ter sentido, mas como ocorreu no fim do anime, com ela encontrando novamente a felicidade. Nunca esqueceremos essas pessoas, mas isso não é motivo de jogar sua vida fora.

O grande problema de Natsuyuki foi o tempo. Alongaram demais a obra, deixando-a cansativa, chegando a um ponto no qual você já estava cansado de todos aqueles monólogos e metáforas que pareciam não caminhar para lugar algum, ainda que esmiuçassem os verdadeiros sentimentos de cada personagem. O meio do anime sofreu demais com isso, a parte em que Hazuki ficou preso no Sketch Book era tão enfadonha que deixava entediado até quem estava gostando do anime. Também é importante ser ressaltada a parte técnica, que conseguiu fazer um bom trabalho, com um ambiente que ajudou a construir todo o clima do anime, casado com uma boa trilha sonora. Particularmente, esperarei outras obras do Dogakobo, estúdio que não conhecia.

Natsuyuki Rendezvous não é ótimo, mas também passa muito longe de ser ruim. Possui vários pontos positivos que são ofuscados pelos negativos, principalmente por ser um anime realmente difícil, massante e que causa/causou muitas interpretações. Uma obra que não é para todos, porém este nunca foi seu objetivo.

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