Maoyuu Maou Yuusha

Uma aula pesada de economia, uma subversão do RPG clássico, uma comédia romântica/harém e otras cositas mas. Maoyuu Maou Yuusha, um dos melhores mangás que você não está lendo.

Maoyuu Maou Yuusha surgiu no textboard japonês 2channel como um projeto colaborativo entre vários usuários de lá. A versão final da história foi moldada no formato de Light Novel por Touno Mamare, e a publicação começou em 2010. Porém, devido a questões curiosas envolvendo o copyright da série (leia-se “eu não sei o quê, mas é incomum”), é extremamente fácil para qualquer um criar adaptações da obra. Existem 5 mangás derivados de Maoyuu Maou Yuusha atualmente em publicação, então, para deixar claro: esse post trata do mangá entitulado Maoyuu Maou Yuusha – “Kono Watashi no Mono Tonare, Yuusha yo” “Kotowaru!”.

Humanos e demônios estão em uma guerra sangrenta e violenta faz anos, e a sociedade humana é assolada por fome e miséria. Um herói parte em uma ousada e arriscada missão com um único objetivo: invadir o castelo da rainha dos demônios e derrotá-la para acabar com a guerra. Mas não será tão fácil assim.

Logo no primeiro capítulo, somos jogados de cara no olho do furacão: o encontro entre Hero e Demon Queen (esses são realmente os nomes dos personagens: em japonês, Hero é Yuusha, e Demon é Maou; daí o título). O herói humano que carrega a esperança de todos para acabar com a horrível guerra, frente a frente com a cruel líder dos horrendos e malignos demônios. O que seria o clímax e o final de uma história mais comum acontece logo ali, no primeiro capítulo. Só que Maoyuu não é uma história muito comum.

Em primeiro lugar, a economia/política. Eu entendo pouco do assunto, mas a obra não se torna maçante por isso, pelo contrário. A Demon Queen de vez em quando soa quase como uma professora para o leitor, explicando conceitos e manobras econômicas de maneira apreciável, e raramente sinto que estou perdendo algo por não dominar o assunto: até aprendo um bocado. É uma bela mostra de diversos conceitos sem simplificações exageradas ou propaganda panfletária de uma determinada ideologia. Não deve substituir uma tese científica de verdade, mas o mangá funciona muito bem sozinho, obrigado.

Outro ponto onde Maoyuu se destaca é nas suas analogias com a civilização ocidental. O mundo da obra, apesar dos demônios e heróis incrivelmente RPGísticos, se comporta muito como o nosso um dia se comportou. Não quero dar spoilers, mas muito está lá, facilmente identificável, mas excelente mesmo se você não entende muito do assunto. Novamente, as analogias não são forçadas, fluem muito bem com a história, compõem o universo da obra. Se você não gosta do assunto, talvez Maoyuu não seja a melhor das opções, mas é bem possível se surpreender com isso.

Também existe o lado comédia romântica, e nisso eu parabenizo o autor: é um toque de mestre. Os pontos já citados são realmente excelentes, mas é fácil notar que eles seriam maçantes sem as eventuais quebras proporcionadas por esse lado. O mangá utiliza excelentes interações cômicas entre personagens, como certas disputas entre Demon Queen e Female Knight por Hero, piadas pontuais feitas por outros homens sobre a situação, enfim, aspectos que contribuem para algo mais relaxado, porém sem diminuir um pingo da qualidade; pelo contrário, adicionando muito ao mangá.

Nesse ponto é interessante destacar o ótimo traço de Akira Ishida (não, não é o cara que faz a voz de Kaworu em Evangelion, Gaara em Naruto, entre outros), que com poucas expressões dos personagens, consegue passar a seriedade quando precisa, sem deixar de ser fantástico para descontrair. A arte nunca parece deslocada do roteiro; aliás, talvez a arte de Ishida seja parte essencial de Maoyuu como o conheço. Em questão de character design, é um dos mangás mais bonitos que conheço. Por isso priorize essa adaptação acima de todas as outras, é bonita demais.

Infelizmente, isso não faz parte do mangá.

 E, no que talvez seja o aspecto menos evidente, e que talvez seja o que eu mais gosto, a subversão do RPG clássico. É realmente interessante como o “vilão” não é maligno, e sim a principal esperança que o mundo tem de paz; como o papel do “herói” é contestado logo de cara, e substituído por um papel de suporte, já que nem tudo pode ser resolvido com armas e magias. Maoyuu possui vestígios da grandiosidade tipicamente fantástica, com batalhas e exércitos (a campanha de recuperação da Aurora Island, em especial, é bem bacana em termos de estratégia militar e luta pura e simples), mas o universo é muito mais real. Como se você pegasse o genérico herói de RPG nível 99 acostumado a resolver tudo na porrada e, no meio da batalha final, dissesse “Ei, não é assim que o mundo funciona”.

Sério. Quanto heróis passam por isso?

É genial a ideia de nenhum dos personagens ter nome próprio (como já disse, todos são chamados de acordo com seus papéis na história: Hero, Demon Queen, Female Knight, Young Merchant, etc) e como a obra começa justamente na comum “batalha final”. O mangá não se dá ao trabalho de apresentar o passado do Hero, da guerra ou qualquer outro, porque já vimos tudo isso em dezenas de obras. Nos joga direto no fim do genérico que já vimos e no começo da diferenciação que ainda não conhecemos, e faz isso muito bem. Poderia ser usado como plot twist mais pra frente? Poderia. Mas é incrivelmente interessante fazer isso no primeiro capítulo. A obra não tem medo de dizer ao que veio.

Não creio que Maoyuu é um mangá que vá agradar a todos, mas é um mangá com um pouco de tudo, e acho que muitos deviam tentar. Mas para os órfãos da economia de Spice and Wolf, para aqueles que gostariam de falar “desconstrução” sem soarem como enormes retardados, para os fãs de romance que não têm medo de encarar muito texto, para os que querem um bom épico preso no chão, ou para quem é um pouco de tudo isso e tem tempo e vontade de ler 16 capítulos (por enquanto) que, no bom sentido, já parecem uns 40, eu garanto: vocês não vão errar com Maoyuu.

Download / Online

PS: Lembram que falei que o copyright é estranho e muita gente faz versão da obra? Pois é, o passo mais lógico já foi tomado. Na temporada animística de inverno, irá estrear o anime de Maoyuu. E, bom…

Com suas dezenas de diálogos e discussões econômicas, Maoyuu não é o tipo de coisa que eu precisava ver num anime, mas quando ouvi falar disso, eu estava com um hype imenso. Já existia um Drama CD (algo como um audiolivro, pra quem não sabe) com um elenco magnífico: Lawrence, Horo, Senjougahara, Araragi e Kanbaru (ou Shinra, Kallen, Homura, Izaya e Celty, você decide). Mesmo assistindo muito poucos animes, reconheço esses nomes, adoro muitos desses personagens e imaginava que o tal Drama CD deveria ser fantástico, e só de pensar em todos num anime de um mangá que eu adoro, eu babei.

Aí eu vi o PV.

Backgrounds excelentes, confere. Trilha sonora bacana, confere. Design decente (não é bem a qualidade do Akira Ishida, infelizmente) para a maioria dos personagens, confere. Mas esse Hero parece um Kirito porcamente desenhado, e essa Demon Queen retardada, puta que pariu, PUTA QUE PARIU. Eu sinto ÓDIO só de olhar pra cara dela. ÓDIO.

ÓDIO.

Mais um motivo pra ficar no Maoyuu Maou Yuusha – “Kono Watashi no Mono Tonare, Yuusha yo” “Kotowaru!” (porra, que título enorme), onde tudo é lindo e feliz. Mas se você é mais fã de anime do que de mangá, vai acabar esperando por isso, infelizmente. Pelo menos talvez eles acertem no plot, mas já começo a contar como mais uma triste adaptação que farão com uma ótima obra.

Porque pelo menos o mangá de Maoyuu, em todos os seus aspectos, é uma ótima obra. Vigorosamente recomendado.

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Sobre rauzi

Escrevendo para me lembrar que era verdade.
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7 respostas para Maoyuu Maou Yuusha

  1. rubiopaloosa disse:

    Sem duvida essa é a melhor versão (dando uma olhada por cima nas outras), e como você disse um dos fatores disso é o traço bom. É legal ver as 3 que contam a história principal e ver como diferentes autores interpretam a mesma obra.

    Acho que o anime vai perder muito no caso do caracter design, principalmente quando o do manga fica em mente, quem manda pegar caracter design de fucking Bleach para fazer uma obra dessas.

    É bom ver outra obra nos moldes de Spice and Wolf, visto que dessa temos muito pouco, o manga não sai nada, o anime não é bom e as novels demoram para sair, se bem que isso vai mudar ano que vem.

    • rauzi disse:

      Eu não tinha pesquisado a fundo os nomes envolvidos. Sério que é o character design de Bleach? Mas puta que pariu hein. Não é nem que o character design de Bleach seja ruim, é um dos poucos pontos onde aquele troço acerta. Mas é muita acefalia achar que se encaixa em Maoyuu.

      E Maoyuu é macroeconomics, enquanto S&W é mais micro (acho que não faz sentido falar “mais micro”. Oh well). Mas de fato, é uma bela opção pros órfãos.

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  6. RHaack66 disse:

    Eu ainda acho q no final do mangá ou anime .. aquela frase feita pela maou nos faz lembrar quem ela é .. e que tem algo mais em sua vinda .. só eu achei ?

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